domingo, 18 de março de 2012

NEUTRINOS NÃO SÃO MAIS RÁPIDOS DO QUE A LUZ


Física de partículas
Neutrinos não são mais rápidos que a luz, confirma novo experimento
Cálculo anterior estava errado; velocidade dos neutrinos não desafia Teoria da Relatividade de Einstein

O Icarus, novo experimento realizado no Laboratório Nacional de Gran Sasso, na Itália, confirmou que os neutrinos realmente não são mais rápidos do que a luz, segundo comunicado do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern). A nova medição do tempo de voo de neutrinos desmente a medida inicial relatada pelo experimento Opera, do mesmo laboratório, realizado em setembro de 2011.
O Opera abalou o mundo da física ao desafiar um dos pilares da Teoria da Relatividade, proposta pelo físico Albert Einstein no início do século XX. O experimento chegou à conclusão de que neutrinos gerados na Suíça teriam percorrido a distância de 732 quilômetros pela crosta terrestre até a Itália a uma velocidade 60 bilionésimos de segundo mais rápida do que raios de luz, algo impossível pelas teorias vigentes, já que a velocidade da luz é considerada o limite máximo de velocidade do universo.

         Em fevereiro deste ano, “fontes familiarizadas com o experimento” declararam que os cálculos feitos pelo Opera poderiam estar errados. A diferença de 60 nanossegundos teria vindo de um mau contato entre uma placa de computador e um cabo de fibra ótica que conecta o receptor de GPS usado para corrigir o tempo de viagem dos neutrinos.

          Para comprovar tal teoria, os cientistas apostaram no experimento Iacrus, em que uma nova medição da velocidade dos neutrinos foi realizada em jornada igual ao do teste anterior, entre o laboratório italiano e o Cern, na Suíça, distantes 732 quilômetros entre si. Os resultados mostraram um tempo de voo equivalente à velocidade da luz, e não maior, como sugeria o experimento Opera.
"Essa descoberta indica que os neutrinos não excederam a velocidade da luz", informou o Cern em um comunicado divulgado à imprensa. Segundo Sergio Bertolucci, diretor do centro europeu, outras verificações estão sendo feitas, inclusive novos experimentos com feixes de partículas em maio, a fim de dar um veredicto final.

(Com Agence France-Presse)

Saiba mais

O que é um neutrino?
Neutrinos são partículas subatômicas (como o elétron e o próton), sem carga elétrica (como o nêutron), muito pequenas e ainda pouco conhecidas. São gerados em grandes eventos cósmicos, como a explosão de supernovas, em reações nucleares no interior do Sol e também por aceleradores de partículas. Viajam perto da velocidade da luz e conseguem atravessar a matéria praticamente sem interagir com ela. Como não possuem carga, não são afetados pela força eletromagnética. Existem três "sabores" de neutrinos: o neutrino do múon, o neutrino do tau e o do elétron.
Por que um corpo com massa não é capaz de atingir a velocidade da luz?
De acordo com as equações da Teoria da Relatividade, quanto mais um corpo se aproxima da velocidade da luz, mais energia é necessária para que ele continue ganhando velocidade. Essa energia teria que ser infinita — uma quantidade maior, por exemplo, do que a existente no universo — para que esse corpo fosse acelerado até a velocidade da luz.
Entenda o experimento Opera
Os pesquisadores enviaram neutrinos, um tipo de partícula subatômica, dos laboratórios do CERN, na Suíça, para outras instalações a 732 quilômetros em Gran Sasso, na Itália, e descobriram que elas chegaram 60 bilionésimos de segundo antes da luz. A equipe fez a medição 16.000 vezes e chegou a um nível estatístico que a ciência aceita como descoberta formal.
O Opera abalou o mundo da física ao desafiar um dos pilares da Teoria da Relatividade, proposta pelo físico Albert Einstein no início do século XX. O experimento chegou à conclusão de que neutrinos gerados na Suíça teriam percorrido a distância de 732 quilômetros pela crosta terrestre até a Itália a uma velocidade 60 bilionésimos de segundo mais rápida do que raios de luz, algo impossível pelas teorias vigentes, já que a velocidade da luz é considerada o limite máximo de velocidade do universo.

        Em fevereiro deste ano, “fontes familiarizadas com o experimento” declararam que os cálculos feitos pelo Opera poderiam estar errados. A diferença de 60 nanossegundos teria vindo de um mau contato entre uma placa de computador e um cabo de fibra ótica que conecta o receptor de GPS usado para corrigir o tempo de viagem dos neutrinos.
Para comprovar tal teoria, os cientistas apostaram no experimento Iacrus, em que uma nova medição da velocidade dos neutrinos foi realizada em jornada igual ao do teste anterior, entre o laboratório italiano e o Cern, na Suíça, distantes 732 quilômetros entre si. Os resultados mostraram um tempo de voo equivalente à velocidade da luz, e não maior, como sugeria o experimento Opera.
"Essa descoberta indica que os neutrinos não excederam a velocidade da luz", informou o Cern em um comunicado divulgado à imprensa. Segundo Sergio Bertolucci, diretor do centro europeu, outras verificações estão sendo feitas, inclusive novos experimentos com feixes de partículas em maio, a fim de dar um veredicto final.
 www.veja.com.br

sábado, 10 de março de 2012

MAPA DE ALTA RESOLUÇÃO DO INTERIOR DA TERRA


Geofísica

Cientistas produzem mapa em alta resolução de camada interior da Terra

Pela primeira vez, foi possível estimar a profundidade da camada Moho, intermediária entre a costra e o manto terrestre, em cada parte do mundo


Mapa que mostra as diferentes profundidades da camada Moho em cada parte do planeta Terra, medida em quilômetros (GEMMA project)

 
Projeto financiado pela Universidade Politécnica de Milão, na Itália, e pela Agência Espacial Europeia (ESA) elaborou um mapa global inédito, em alta resolução, de uma zona logo abaixo da crosta terrestre, conhecida como Moho, a partir de observações e cálculos realizados pelo satélite GOCE. Estudar esta camada, situada entre a crosta e o manto terrestre, pode trazer novas pistas sobre a dinâmica do interior da Terra.
A crosta é a camada sólida mais externa do nosso planeta. Apesar de representar apenas 1% do volume da Terra, ela é extremamente importante porque abriga todos os nossos recursos geológicos, como o gás natural e o petróleo.
O estudo, divulgado pela ESA e batizado de projeto GEMMA,  melhorou as projeções feitas anteriormente, baseadas em dados de eventos sísmicos e da gravidade, e permitiu pela primeira vez estimar a profundidade da camada Moho em cada parte do mundo, até mesmo em áreas onde não havia dados disponíveis.  O projeto é dirigido pelo italiano Daniele Sampietro.
O satélite GOCE mediu o campo de gravidade e a profundidade desta zona com uma precisão sem precedentes, o que permite compreender melhor a circulação dos oceanos, as mudanças do nível do mar e os processos ocorridos no interior da Terra.

(Com Agência EFE)

Saiba mais

MOHO
A Moho é uma zona que se encontra entre a crosta e o manto da Terra. É nesta região que ocorrem as mudanças de velocidade das ondas sísmicas. Nos oceanos, ela se encontra entre cinco e oito quilômetros de profundidade, e nos continentes, a Moho está entre 25 e 60 quilômetros abaixo da superfície da Terra. Esta diferença de profundidade é facilmente observável no mapa do projeto GEMMA. Seu nome foi dado em homenagem ao geofísico croata Andrija Mohorovicic, que identificou a existência da camada em 1909.

RIO + 20



Minuta Zero da Rio+20

Documento passará por revisão no fim deste mês, em Nova York. Texto orienta delegações que participarão dos debates na cidade a partir de 13 de junho

Márcia Régis, do Rio de Janeiro

O documento que serve de base para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, foi liberado para consulta pública em janeiro deste ano, o documento receberá ajustes no final de março durante a 3ª Reunião Interseccional da Rio+20, na sede da ONU em Nova York. Seguirá em revisão nos países até a terceira e última conferência preparatória para a reunião dos Chefes de Estado no Riocentro, em junho.

Entenda os principais pontos da Minuta Zero:
Criação de taxa sobre transações no mercado financeiro internacional

A proposta defendida pela Alemanha atrela a aplicação dos recursos obtidos em programas de proteção socioambiental e de combate ao aquecimento global.

Criação de um painel técnico-científico global sobre desenvolvimento sustentável

Seria um organismo de caráter permanente, amplo, com atribuições iniciais de orientar e apoiar os processos de desenvolvimento e adoção global de métricas econômicas de progresso além do PIB. Outra atribuição desse painel seria o estabelecimento e a implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Três novas convenções internacionais

São elas: Direito à Informação Ambiental e Acesso à Justiça, Responsabilidade Social e Accountability de Empresas Multinacionais e Aplicação do Princípio da Precaução (estabelecendo diretrizes sobre áreas como bioengenharia, nanotecnologia, geoengenharia, tecnologia da informação e comunicação, etc.).

Produção e Consumo Sustentáveis

Trata-se de discutir as diretrizes e propostas de ação capazes de fomentar empregos verdes. A proposta é a realização de uma análise regional e setorial focada nos empregos que serão perdidos em tempos de crise e conseqüência dos desastres causados pelo aquecimento global. Também está em pauta a formulação de estratégias para criação e ocupação de empregos e meios de vida compatíveis com o desenvolvimento sustentável. A discussão incluirá ainda a formulação de ferramentas para “compras públicas sustentáveis” – o que significa definir os meios para utilização do poder indutor do estado como comprador e investidor a favor de produtos e serviços favoráveis ao desenvolvimento sustentável. Significa também a adoção de políticas e instrumentos econômicos para mensurar integralmente os custos dos produtos e serviços em todo seu ciclo de vida – estratégia que poderá mitigar o impacto do descarte de produtos, lixo excessivo e poluição.

quinta-feira, 8 de março de 2012

O PAÍS QUE NASCEU POR ENGANO


Por Augusto Nunes

O Brasil nasceu por engano. Buscavam o caminho das Índias as caravelas que em abril de 1500 perderam o rumo tão espetacularmente que acabariam caindo nos abismos do outro lado do mundo se não tivessem topado com aquela demasia de praias com areias finas e brancas,  banhadas por ondas verdes ou azuis, muita mata, muita flor, muito rio, muito peixe, muito bicho de carne tenra, muita fruta sumarenta e, melhor que tudo, muita índia pelada.
O Brasil balançou no berço da safadeza. Souberam disso tarde demais aqueles viventes cor de cobre, sem roupas no corpo nem pelos nas partes pudendas, os homens prontos para trocar preciosidades por quinquilharias, as mulheres prontas para abrir o sorriso e as pernas para qualquer forasteiro, pois os nativos praticavam sem remorso o que só era pecado do outro lado do grande mar, e não poderiam ser tementes a um Deus que desconheciam.
O Brasil nasceu carnavalesco. Nem um Joãozinho Trinta em transe num terreiro de candomblé pensaria em juntar na avenida, como fez o português Henrique Soares, maior autoridade religiosa presente e celebrante da primeira missa naquelas imensidões misteriosas, um padre de batina erguendo o cálice sagrado, navegantes fantasiados de soldados medievais, marinheiros com roupa de domingo, índios com a genitália desnuda que séculos depois seria banida da Sapucaí por bicheiros respeitadores dos bons costumes e a cruz dos cristãos no convívio amistoso com arcos, flechas e bordunas.
O Brasil balançou no berço da maluquice. Marujos ainda mareados pela travessia do Atlântico, ainda atarantados com a visão do paraíso, decidiram que aquilo era uma ilha e deveria chamar-se Ilha de Vera Cruz, e assim a chamaram até perceberem, incontáveis milhas além, que era muito litoral para uma ilha só, e pareceu-lhes sensato rebatizar o colosso ausente de todos os mapas com o nome de Terra de Santa Cruz, porque disso ninguém duvidava: era firme a terra que pisavam.
O Brasil nasceu preguiçoso. Passou a infância e a adolescência na praia, e esperou 200 anos até criar ânimo e coragem para escalar o paredão que separava o mar do Planalto, e esperou mais um século até se aventurar pelos sertões estendidos por trás da floresta virgem, num esforço de tal forma extenuante que ficou estabelecido que, dali por diante, os nativos da terra, os estrangeiros e seus descendentes sempre deixariam para amanhã o que deveriam ter feito ontem.
Tinha de dar no que deu. Coerentemente incoerente, o Brasil parido pelo equívoco hostilizou os civilizadores holandeses para manter-se sob o jugo do império português, o Brasil amalucado teve como primeira e única rainha uma doida de hospício, o Brasil da safadeza acolheu o filho da rainha que roubou a matriz na vinda e a colônia na volta, o Brasil preguiçoso foi o último a abolir a escravidão, o Brasil sem pressa foi o último a virar República, o Brasil carnavalesco transformou a própria História num tremendo samba do crioulo doido.
O cortejo dos presidentes, ministros, senadores, deputados federais, governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores aberto em 1889 informa que a troca de regime não mudou a essência da coisa: o Brasil republicano é o Brasil monárquico de terno e gravata, só que mais cafajeste. Muito mais cafajeste, informa a paisagem deste começo de século 21. Depois de 500 anos, os herdeiros dos traços mais detestáveis do DNA nacional promoveram o grande acerto dos  amorais, instalaram-se no coração do poder e vão tornando decididamente intragável a geléia geral brasileira.
Nascido e criado sob o signo da insensatez, o país que teve um imperador que parecia adulto aos 5 anos de idade foi governado por um presidente que parece moleque e, depois, por uma avó menos ajuizada que neto de fralda. Com um menino sem pai nem mãe no trono, o Brasil não sentiu medo. Com dois sessentões no comando, o Brasil que pensa se sente sem pai nem mãe.


segunda-feira, 5 de março de 2012

A MICROFÍSICA DO PODER


FOUCAULT E A MICROFÍSICA DO PODER NA ESCOLA

Por Dimas Cunha

Universidade Castelo Branco-RJ

Dentre os filósofos pós-modernos que exerceram suas críticas ao paradigma da modernidade - que supostamente seria o projeto de emancipação do homem pelo desenvolvimento da razão - Michel Foucault particularizou sua observação no poder dissecando-o e percebendo-o nas mais diversas atitudes dos indivíduos que integram a organização social.

O interesse dos filósofos pós-modernos estava nas singularidades e particularidades. A particularidade do poder foi o objeto de estudo de Foucault. Para o filósofo, com o advento da modernidade as sociedades desenvolveram uma nova forma de organização do poder. Segundo ele, algo aconteceu a partir do Século XVIII, e descentralizou o poder da esfera política e o espalhou por todos os espaços do organismo social. Como se fosse uma reação em cadeia a fragmentação do poder em micro poderes conferiu a este mais força eficiência. Deixando de lado as estruturas que dão sustentação ao Estado, Foucault concentra sua análise nos poderes exercidos pelos mais diversos atores sociais que, ao incorporarem as normas da disciplina social as exercem nos vários ambientes da vida profissional.

 A microfísica do poder postulada por ele afirma que não há um só espaço na sociedade onde poder não esteja presente. Segundo Foucault, a dominação no âmbito social não é exercida de cima apara baixo nem é hierarquizada em grupos ou por indivíduos, todavia, está disseminada em toda a sociedade. Para ampliar e dar mais especificidade ao poder que exerce a sociedade apóia-se na utilização dos discursos que cria e divulga. Com o decorrer no tempo esses discursos passam a ser aceitos como verdade.

Sob esse ângulo é possível perceber o discurso da racionalidade técnica sendo divulgados para justificar as declarações de guerra e genocídios, como o extermínio de judeus nos campos de concentração nazistas e a destruição da população japonesa em Hiroshima e Nagazaki, durante a segunda Guerra Mundial(1939-1945). 

 Segundo Nietzsche, os valores são produzidos pela sociedade. Por sua vez, Foucault através do método de pesquisa genealógica utiliza em seu discurso o argumento, que valores como bem e mal, verdadeiro e falso são aceitos em função dos interesses relativos ao poder dentro da sociedade. Portanto, é a sociedade que produz o padrão ético e por intermédio do discurso cristaliza-o no imaginário popular. É o poder criador da sociedade produzindo verdades, realidades e seus respectivos conceitos. O poder é a central de produção da realidade, rituais de verdades e domínios dos objetos. Para Foucault, vivemos numa sociedade disciplinar, na qual, predomina a produção de práticas disciplinares de vigilância. 

Um exemplo disso verifica-se nos discursos e práticas científicas que, aparentemente são neutros, entretanto, exercem um poder de regulação e normatização comportamental nos indivíduos sob a bandeira do conhecimento científico. Por meio do saber o poder exerce domínio sobre o corpo, a mente e a intimidade humanas.

Para conhecer sua dinâmica e relações Foucault propôs a arqueologia do saber, cuja finalidade era entender os discursos das sociedades e seus significados ao longo da história. Através da arqueologia do saber o filósofo pretendia conhecer o nascedouro, a transmissão, utilização e substituição dos discursos no processo histórico-social, uma vez que estes dão sustentação às estruturas de controle social, que determinam o modo de pensar, ser e agir dos indivíduos.












quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O MAIS NOVO PAÍS DO MUNDO


Sudão do Sul se torna o mais novo país do mundo

O Sudão do Sul se tornou oficialmente  em 2011 o mais novo país do mundo, ao oficializar sua independência do restante do Sudão.
Nas ruas da capital do país, Juba, centenas de pessoas comemoraram a mudança logo após o horário oficial da separação do norte.
Segundo o enviado da BBC a Juba Will Ross, às vésperas do nascimento do país as rádios tocaram sem parar o hino nacional sul-sudanês, composto por estudantes locais.
O país nasce a partir de um acordo de paz firmado em 2005, após 12 anos de uma guerra civil que deixou 1,5 milhão de mortos. Em janeiro de 2011, 99% dos eleitores do Sudão do Sul votaram a favor da separação da região, predominantemente cristã e animista, em relação ao norte, governado a partir de Cartum, onde a população é em sua maioria muçulmana e de origem árabe.
Nesta sexta-feira, o governo do presidente sudanês, Omar Bashir, reconheceu formalmente a independência da parte sul de seu país. Ele estará em Juba, no sábado para a festa, assim como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que será recepcionado pelo presidente interino do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit.
Apesar de possuir grandes reservas de petróleo, o Sudão do Sul nasce como um dos países mais pobres do mundo, com a maior taxa de mortalidade materna, a maioria das crianças fora da escola e um índice de analfabetismo que chega em 84% entre as mulheres.
Embora não haja estatísticas oficiais, a ONU estima que a população do país varie entre 7,5 e 9,5 milhões. O Sudão do Sul também nasce sendo um dos maiores do continente, superando as áreas de Quênia, Uganda e Ruanda somadas.
Abyei e Kordofan
A independência está sendo celebrada sem que as fronteiras entre o sul e o norte já estejam completamente definidas. Um foco de tensão é o debate sobre quem ficará a região de Abyei, rica em petróleo.
Em maio, forças do Sudão do Norte entraram em Abyei. Os conflitos forçaram 170 mil pessoas a deixarem suas casas, para fugir da violência.
O acordo de 2005 previa um referendo para os moradores da área decidirem se ficariam com o norte ou o sul, mas por causa da tensão a votação ainda não ocorreu.
Antecipando-se a uma eventual retomada da guerra civil, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, também em maio, o envio de uma missão de paz com 7 mil militares para a área, a maioria da Etiópia.
A separação também acendeu os ânimos na região de Kordofan do Sul, que está sob controle do governo de Cartum.
Povoada por minorias étnicas sem ligação com a população árabe do norte, a região quer se juntar ao novo país. Confrontos na região já provocaram o deslocamento de 60 mil moradores.

Petróleo, selos e capital

A questão do petróleo é uma das questões mais sensíveis na divisão do Sudão.A maior parte das reservas fica no sul, mas quase toda a infraestrutura para refino e transporte fica no norte. Por enquanto, a receita é dividida meio a meio.Além de discutir uma nova divisão nos lucros, o sul e o norte também têm de dividir a dívida pública do Sudão.
A nacionalidade dos sul-sudaneses que vivem no norte é outro problema. O governo de Cartum já revogou a cidadania destas pessoas, que agora migram em massa para a antiga terra natal, para se tornarem cidadãos do mais novo país do mundo.
Mas as delicadas questões envolvendo o norte não são os únicos problemas que o Sudão do Sul está tendo que enfrentar.
O país ainda discute, por exemplo, quem irá estampar as notas da futura nova moeda, o design dos selos e até qual será a capital – Juba ou uma nova cidade a ser construída, que pode até ter o formato de animais ou frutas africanas.
O nascimento do país também provocou mudanças na ONU, onde engenheiros discutem se incluem mais uma cadeira no já apertado plenário da Assembléia Geral, ou se o Sudão do Sul vai ocupar o espaço do Vaticano ou da Autoridade Palestina, que têm assento na sala, mas não são Estados-membros.
BBC Brasil