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quinta-feira, 23 de julho de 2015
domingo, 19 de julho de 2015
domingo, 31 de maio de 2015
CRISE DE IMIGRAÇÃO
IMIGRANTES RUMO À EUROPA
Há um sentimento comum entre os milhares de imigrantes que se sujeitam às condições subumanas e se amontoam em embarcações obsoletas para chegar ao continente Europeu através do Mar Mediterrâneo. Poucos estariam ali se essa não fosse a última alternativa. Além da miséria crônica dos países subsaarianos, os conflitos que se espalharam por Síria, Líbia e Iêmen nos últimos anos esfacelaram governos e amplificaram perseguições raciais e religiosas no norte da África e no Oriente Médio.
Há um sentimento comum entre os milhares de imigrantes que se sujeitam às condições subumanas e se amontoam em embarcações obsoletas para chegar ao continente Europeu através do Mar Mediterrâneo. Poucos estariam ali se essa não fosse a última alternativa. Além da miséria crônica dos países subsaarianos, os conflitos que se espalharam por Síria, Líbia e Iêmen nos últimos anos esfacelaram governos e amplificaram perseguições raciais e religiosas no norte da África e no Oriente Médio.
Dados da Anistia Internacional mostram que metade dos
imigrantes ilegais que realizaram a travessia era composta por
refugiados de guerra. Os demais tinham objetivo de se asilar na Europa
ou arrumar um emprego para fornecer uma vida melhor para suas famílias.
Com relação à nacionalidade, 46% dos imigrantes eram provenientes da
Síria e Eritreia. Malianos, líbios, nigerianos, etíopes e somalis também
são flagrados com frequência na região.
A Líbia se transformou no maior 'hub' de embarque clandestino. O país
está destroçado por uma guerra civil desde o fim da revolta que
liquidou o ditador Muamar Kadafi, em 2011. Milícias fundamentalistas
ganharam terreno no ano passado e conquistaram o controle de importantes
cidades, incluindo a capital Trípoli e Bengasi. O governo que conta com
o respaldo da comunidade internacional encontra-se acuado no leste do
país e, sem poder, chegou a buscar refúgio em uma embarcação
ancorada em Tobruk. Como o Exército nacional foi dizimado e os postos
de controle das fronteiras encontram-se abandonados, o fluxo de
imigrantes é intenso no país. É neste cenário que redes de traficantes
de humanos, muitas vezes aliadas a grupos armados, conseguem coagir
pessoas a abrir mão de suas últimas economias em troca de uma viagem só
de ida para a Europa.
Em relato ao jornal britânico The Guardian, um imigrante
nigeriano contou que, ao chegar a uma praia da Líbia, se deparou com
centenas de pessoas acampadas e aguardando a ordem dos traficantes para
viajar. Uma vez dentro do barco, os criminosos permitem que milícias
armadas subam a bordo para roubar os últimos pertences dos imigrantes.
As pessoas, então, são dividas com base em critérios raciais e de
gênero. Por terem a pele mais clara e condições de pagar maiores
quantias em dinheiro (a 'passagem' custa entre 600 e 2.000 euros ou
1.800 e 6.000 reais), os sírios são autorizados a ficar no convés das
embarcações, onde teoricamente seria mais seguro. Refugiados de pele
mais escura vindos da África Subsaariana são trancados nos porões dos
barcos, assim como mulheres e crianças - consideradas 'barulhentas
demais'. Qualquer ação que os traficantes venham a considerar uma
desobediência é passível de torturas, castigos físicos e até morte,
empurrando as pessoas ao mar.
As viagens, que deveriam durar de três a quatro dias, transformam-se
num pesadelo pela precariedade das embarcações. Os pesqueiros
clandestinos não têm estrutura necessária para permanecer estabilizados
no oceano e são atirados para diferentes direções conforme a força das
ondas. Os próprios traficantes costumam guiar os barcos e, por não terem
experiência suficiente, se perdem com frequência nas águas do
Mediterrâneo. A comida e água potável disponível também não demoram a
acabar, o que provoca agitações entre os imigrantes. O desespero é
tamanho que os naufrágios na região costumam ocorrer devido ao excesso
de pessoas que se aglomeram em uma única área do pesqueiro após um barco
estrangeiro ser avistado ao horizonte. A grande maioria dos imigrantes
não sabe nadar e se afoga imediatamente após cair na água.
Caso sejam resgatados com vida ou consigam cumprir a viagem até águas
controladas por países europeus, os imigrantes enfrentam um burocrático
processo até serem autorizados a reconstruir suas vidas. Muitas vezes
eles permanecem por tempo indeterminado em centros de acolhimento
superlotados. "De acordo com as regulamentações da União Europeia, os
imigrantes precisam ser identificados no primeiro país ao qual eles
chegam e, se quiserem pedir asilo, devem fazer isso no primeiro país em
que aportam. Como muitos querem se deslocar para outros lugares da
Europa, eles permanecem em situação ilegal. Isso torna impossível o
encaminhamento de solicitações para trabalhar. E muitos acabam apelando
para os empregos irregulares", explica a pesquisadora Elisa De Pieri, da
organização Anistia Internacional.
http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/rumo-a-europa-imigrantes-enfrentam-racismo-tortura-e-afogamento
sexta-feira, 22 de maio de 2015
OS PLÂNCTONS
A importância de cada plâncton
Edição especial da revista científica Science traz os resultados da expedição ‘Tara Oceans’, que estudou o conjunto de micro-organismos marinhos responsáveis pela produção de metade do oxigênio da Terra.
Os cientistas catalogaram 35 mil tipos de bactérias marinhas, cerca de
80% dos quais eram, até então, ignoradas e identificaram mais de 5 000
tipos de vírus, dos quais apenas 39 eram conhecidos(Thinkstock/VEJA)
Em setembro de 2009, um veleiro saiu da Bretanha francesa para o que seria a primeira expedição científica global para estudar o plâncton, organismos microscópicos fundamentais para o equilíbrio marinho. Por pouco mais de quatro anos, os cientistas da Tara Oceans enfrentaram ameaças de piratas, ventos e tempestades para recolher 35 000 amostras de 210 regiões em todos os oceanos da Terra. Os resultados das análises revelaram, em cinco estudos publicados na quinta-feira (21) na revista Science, que esses organismos são mais diversos, variados e importantes para o ecossistema do que se imaginava. Descobriu-se, por exemplo, que, em sua maior parte unicelulares e invisíveis a olho nu, os minúsculos plânctons, antes pouquíssimos conhecidos pela ciência, são responsáveis por produzir metade do oxigênio encontrado na Terra.
"Descobrimos um mundo novo. Sabíamos que o plâncton era parte
fundamental da máquina que move o planeta, atuando em ciclos essenciais,
como o do carbono e o do nitrogênio. No entanto, não conhecíamos a
diversidade e real relevância desses seres",
Microbioma marinho - Durante os 1 140 dias da
expedição, o veleiro levou 160 cientistas a 35 países para recolher
amostras da superfície dos mares a até 900 metros de profundidade. Entre
os resultados mais importantes das análises estão o catálogo genético
de 35 000 tipos de bactérias marinhas, cerca de 80% dos quais eram, até
então, ignoradas, e a identificação de mais de 5 000 tipos de vírus, dos
quais apenas 39 eram conhecidos. Além disso, foi comprovado que a
temperatura oceânica é o principal fator para o equilíbrio do plâncton.
Qualquer mínima variação é capaz de comprometer a harmonia dos
micro-organismos.
Sarmento e uma equipe internacional de pesquisadores, que inclui
cientistas do Universidade Sorbonne, na França, do Molecular Biology
Laboratory, na Alemanha, e do Vlaams Instituut voor Biotechnologie, na
Bélgica, elaborou um mapa de biodiversidade de vírus, bactérias e
protistas e explorou suas interações e impacto. As análises de 7,2
trilhões de pares de bases de DNA revelaram uma diversidade jamais
imaginada pelos cientistas.
"Acreditávamos que existissem dezenas ou centenas de tipos desses
micro-organismos, mas encontramos entre 2 000 e 4 000 tipos diferentes
de plâncton. Em 1 mililitro de água do mar há 1 milhão de bactérias e 10
milhões de vírus. Os oceanos são os lugares onde habita a maior parte
das formas de vida do planeta", disse Sarmento.
Nova tecnologia - Isso só foi possível pela
tecnologia atual, que tornou rápido e simples o sequenciamento de DNA
dos seres vivos. O volume atingido pelos cientistas é mil vezes superior
a qualquer estudo prévio de diversidade marinha. Com as novas técnicas e
a expedição foi possível estudar as criaturas em seu ambiente, o que
revelou a imensa variedade.
Além disso, os cientistas descobriram que cada região tem sua própria
comunidade de micro-organismos. Ela varia de acordo com o local, a
temperatura da água e os componentes encontrados na água. Há vírus e
bactérias específicos para o Atlântico ou Pacífico e o que os separa são
os redemoinhos oceânicos.
Origem da vida - O plâncton é formado por organismos
microscópicos: vírus, bactérias, protistas e pequenos organismos
multicelulares que, além de produzirem metade do oxigênio do planeta por
meio da fotossíntese, atuam como sumidouros de carbono, influenciam no
clima e formam a base da cadeia alimentar de peixes e mamíferos
marítimos.
Foram eles os responsáveis pelo surgimento do oxigênio no planeta.
Esses micróbios produziram o gás que saiu dos oceanos, migrou para a
atmosfera e tornou possível a saída das primeiras formas de vida da água
para ganharem a superfície da Terra. Além disso, todas as reservas de
petróleo têm origem nesses micro-organismos, pois o combustível é o
resultado da sedimentação de antigos mares e oceanos.
Por enquanto, os cientistas analisaram apenas 579 das 35 000 amostras
coletadas, o que significa que novas descobertas devem surgir nos
próximos anos. Além disso, os dados serão complementados com os
resultados da expedição Malaspina, liderada pelo Instituto de
Ciências do Mar (ICM-CSIC) de Barcelona, na Espanha, que recolheu
amostras do oceano mais profundo, de até 4 000 metros de profundidade
A expedição Tara Oceans é apoiada pelo Centro Nacional de
Pesquisas Científicas da França (CNRS), pelo European Molecular Biology
Laboratory, da Alemanha, e conta com a participação de diversas
instituições públicas e privadas internacionais.
explica o biólogo português
Hugo Sarmento, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
e um dos cientistas envolvidos na concepção e organização da expedição.
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/a-importancia-de-cada-plancton
domingo, 18 de janeiro de 2015
Erupção Vulcânica
Um vulcão em erupção no arquipélago polinésio de Tonga criou uma nova
ilha devido ao acúmulo de enormes rochas e cinzas expelidas há um mês,
anunciaram nesta sexta-feira as autoridades locais.
O vulcão, localizado 65 km a noroeste da capital do reino,
Nuku'alofa, despertou no dia 20 de dezembro pela primeira vez nos
últimos cinco anos, explicou o ministério de Terras e Recursos Naturais.
A erupção ocorreu em de duas crateras, uma situada na ilha desabitada
de Hunga Ha'apai e a outra submarina, a 100 metros da costa.
Especialistas inspecionaram a região na
quinta-feira e constataram que a erupção havia mudado a paisagem. "A
nova ilha tem mais de um quilômetro de comprimento, dois de largura e
uma centena de metros de altura", declarou o ministério em um
comunicado.
"Observamos que o vulcão lançava a cada cinco minutos, mais ou menos,
cinzas e rochas a 400 metros de altura", acrescentou a fonte.
A erupção provocou grandes danos à vegetação das ilhas de Hunga Tonga e de Hunga Ha'apai.
Tonga, um reino de 170 ilhas que conta com 120 000 habitantes, está
localizado sobre o cinturão de fogo do Pacífico, onde as placas
continentais se encontram, provocando uma atividade sísmica e vulcânica
muito intensa.
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/erupcao-vulcanica-em-tonga-cria-nova-ilha
sábado, 4 de outubro de 2014
O VÍRUS DA AIDS
HIV
Aids surgiu no Congo da década de 1920, revela história genética
Pesquisa sugere que fatores como a urbanização rápida e a construção de ferrovias favoreceram a expansão da doença.
Vírus HIV, causador da Aids
(Thinkstock/VEJA)
A aids surgiu em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo,
nos anos 1920, antes de se espalhar pelo mundo, concluíram
investigadores que reconstituíram o caminho do vírus responsável pela
morte de 36 milhões de pessoas. Os virólogos já sabiam que o HIV foi
transmitido de macacos para o homem, mas agora as análises de
pesquisadores das universidades de Oxford, na Inglaterra, e de Lovaina,
na Bélgica, sugerem que entre os anos 1920 e 1950 uma série de fatores —
como a urbanização rápida, a construção de ferrovias na República
Democrática do Congo (então Congo belga) e mudanças no negócio do sexo —
favoreceu a propagação da aids a partir de Kinshasa.
"Nossa investigação sugere que (...) houve um pequeno momento na
época do Congo belga que permitiu a esta cepa do HIV em particular
emergir e se propagar", diz o professor Oliver Pybus, do departamento de
Zoologia de Oxford e um dos principais autores do estudo. "As
informações dos arquivos coloniais indicam que no final dos anos 1940
mais de 1 milhão de pessoas passaram anualmente por Kinshasa via
ferrovia", destaca Nuno Faria, da Universidade de Oxford, coautor
da pesquisa. "Os dados genéticos nos dizem também que o HIV se propagou
muito rapidamente através do Congo, de uma superfície equivalente à
Europa Ocidental, deslocando-se com as pessoas pelas ferrovias e
hidrovias."
Assim, o HIV chegou a Mbuji-Mayi e Lubumbashi, no extremo sul do
país, e a Kisangani, no norte, entre o fim da década de 1930 e início
dos anos 1950. Essas migrações permitiram ao vírus estabelecer os
primeiros focos secundários de infecção em regiões que dispunham de boa
rede de comunicação com países do sul e do leste da África, afirmam os
pesquisadores. "Acreditamos que mudanças na sociedade se deram no
momento da independência do Congo, em 1960, e, provavelmente, o vírus
pôde escapar em pequenos grupos de pessoas soropositivas para infectar
populações mais amplas, antes de se propagar pelo mundo" no fim da
década de 1970, revela Faria. Além do desenvolvimento dos transportes,
algumas mudanças sociais, especialmente envolvendo os profissionais do
sexo, que tinham um grande número de clientes, e um maior acesso a
seringas, compartilhadas por usuários de drogas, fizeram expandir a
epidemia.
(Com Agência France-Presse)
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
VIA LÁCTEA
Astronomia
Novo catálogo da Via Láctea mostra detalhes de 219 milhões de estrelas
Catálogos como esses, com as características de estrelas e planetas, são as bases para os novos modelos da nossa galáxia desenvolvidos pelos cientistas
C
Cientistas da Universidade de Hertfordshire, na Grã-Bretanha, criaram um mapa detalhado da parte norte da Via Láctea
(Nasa/VEJA)
Um novo catálogo, que mostra a parte visível da Via
Láctea, detalha a estrutura de 219 milhões de estrelas que compõe a nossa
galáxia. O trabalho, publicado na segunda-feira no site do periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical
Society, é fruto de dez anos de análises usando o Telescópio Isaac
Newton (INT), no observatório La Palma, nas Ilhas Canárias.
Os cientistas mapearam a parte norte da Via
Láctea, mostrando a variação da densidade de estrelas, aglomerações de gás
e poeira cósmica que a compõe. O telescópio usado pelos astrônomos, que possui
um espelho de 2,5 metros, possibilitou identificar estrelas que jamais
poderíamos enxergar a olho nu — para conseguirmos vê-las, elas teriam que
brilhar 1 milhão de vezes mais fortemente. Com ele, os cientistas conseguiram
detalhar informações como a luminosidade dos sistemas estelares.
A imagem mostra a região que
parece um disco e que contém a maior parte das estrelas da galáxia, incluindo o
Sol. Esse é a segunda leva de dados divulgada pelo programa astronômico
liderado pela Universidade de Hertfordshire, na Grã-Bretanha, com as
informações do telescópio Isaac Newton. Catálogos como esses, com dados
precisos de estrelas e planetas da Via Láctea — ela é composta de cerca de
300 bilhões de estrelas e o mesmo número de planetas, de acordo com estimativas
dos cientistas — são as bases para os novos modelos de nossa galáxia, que
estão sendo construídos pelos cientistas, revelando uma nova visão sobre o Universo.
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: The second data release of the
INT Photometric Hα Survey of the
Northern Galactic Plane (IPHAS DR2)
Onde foi divulgada: periódico
Monthly Notices of the Royal Astronomical
Society
Quem fez: Geert Barentsen, H. J. Farnhill, J. E. Drew, E. A. González-Solares, R. Greimel, M. J. Irwin, B. Miszalski, C. Ruhland e outros
Quem fez: Geert Barentsen, H. J. Farnhill, J. E. Drew, E. A. González-Solares, R. Greimel, M. J. Irwin, B. Miszalski, C. Ruhland e outros
Instituição: Universidade
de Hertfordshire e Universidade Cambridge, na Grã-Bretanha, Instituto de
Astrofísica de Canárias, na Espanha, e outras.
Resultado: Os
pesquisadores fizeram um novo catálogo, que mostra a parte visível da Via
Láctea, detalhando a estrutura de
219 milhões de estrelas.
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