segunda-feira, 10 de setembro de 2012

RIO ROOSEVELT, O RIO DA DUVIDA

EQUIPE DE PROFESSORES ENCONTRA O LOCAL DA NASCENTE DO RIO ROOSEVELT EM VILHENA

Por Dimas Cunha



Theodore Roosevelt, Cândido Rondon, o naturalista norte-americano George Cherrie, Kermit Roosevelt e demais membros da expedição científica que explorou o Rio da Dúvida posam para a foto histórica em 1914 ao concluir o penoso e exaustivo trabalho.


A HISTÓRIA

         O Rio Roosevelt, antes denominado Rio da Dúvida por Rondon, é o único rio brasileiro que leva o nome de um ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, um dos presidentes mais populares que o país já teve. O nome se deu em homenagem ao ilustre convidado pelo governo brasileiro que, junto com Rondon, empreendeu o trabalho de exploração e mapeamento do rio desconhecido entre 1913 e 1914. A Expedição Científica Roosevelt-Rondon teve parte de seu financiamento patrocinado pelo Museu de História Natural Americano. As notícias sobre a expedição ocuparam as manchetes da imprensa internacional e projetou o nome de Rondon como naturalista brasileiro no mundo inteiro. Durante a expedição foram coletadas várias  novas espécies de animais e insetos   que fazem parte do acervo do museu em Washington e Nova York. A Expedição Científica Roosevelt-Rondon também foi registrada em milhares de fotografias, mapas e em dois filmes que fazem parte do acervo cinematográfico da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.
         A jornalista norte-americana Candice Millard (2010), redatora e editora da revista National Geographic em seu livro publicado no Brasil pela editora Companhia das Letras sob o título O Rio da Dúvida – A sombria viagem de Theodore Roosevelt e Rondon pela Amazônia fez uma abordagem histórica sobre o evento num relato excepcional dessa aventura singular pelas selvas brasileiras.

O PROJETO

O Rio Roosevelt é um formador da Bacia Amazônica tem sua nascente no município de Vilhena e seu estudo faz parte do Projeto de Educação Ambiental Água, Escola e Ambiente da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Zilda da Frota Uchôa. A Coordenação de Projetos de Educação Ambiental da referida escola - dando prosseguimento aos trabalhos de mapeamento das nascentes dos rios localizados no município de Vilhena incluídos no Projeto Água, Escola e Ambiente - realizou, nos dias 10, 12 e 16 de julho de 2012, três expedições para reconhecimento do local da nascente do Rio Roosevelt. Alunos da unidade escolar e professores envolvidos no referido projeto só participam das expedições científicas às nascentes dos rios propostos depois do reconhecimento antecipado do local e do acesso ao curso d’água que seja objeto de pesquisa. Para isso, a escola conta com uma equipe especializada que faz o reconhecimento do local a ser estudado e viabiliza junto às instituições que apóiam o empreendimento as condições necessárias para o sucesso da expedição. São parceiros do projeto Prefeitura Municipal de Vilhena, 3º Grupamento de Bombeiros IBAMA e ONG/Millennium.

O OBJETIVO

O estudo do Rio Roosevelt - tendo como base a Expedição Científica à sua nascente - oferece aos alunos a oportunidade de interagir com o espaço estudado em sala de aula permitindo a confirmação ou não das hipóteses levantadas durante as aulas teóricas. A coleta de dados na atividade de campo fortalece o vínculo entre estudo e pesquisa oportunizando o trabalho em equipe e a auto-estima. O rio pesquisado nessa oportunidade tem como pano de fundo a história de um empreendimento científico sócio-econômico e político que envolveu o governo brasileiro e o norte-americano. As questões transculturais entre duas equipes de participantes estiveram em choque ao longo de 60 dias - período do mapeamento e pesquisa do curso d’água até então desconhecido pelos naturalistas e geógrafos brasileiros.

EM BUSCA DA NASCENTE 

A primeira expedição visando à localização da nascente do Rio Roosevelt foi realizada no dia 10 de julho de 2012, terça-feira. A equipe formada pelos professores Claudionor Ferreira de Moraes, Sinézio Bispo dos Santos, Ana Nere Paula Assis, Carlos Antonio Táglia, funcionário da SEDAM e o motorista do IDARON Fábio Rodrigues Franco, apesar de várias tentativas por diversos caminhos, não obteve êxito na busca pelo local da nascente.

 A segunda expedição foi realizada em 12 de julho de 2012, quinta-feira. 

Uma nova equipe formada pelos professores Claudionor Ferreira de Moraes, Sinézio Bispo dos Santos, Ana Nere Paula Assis, Neura A. de Oliveira e o professor convidado, Cícero Dimas da Silva Cunha, representando a ONG/Millennium, com base nas informações fornecidas pela SEDAM e munida de equipamento de GPS partiu em direção ao local da nascente. A equipe seguiu de carro pela BR-174 e à altura do Secador entrou à esquerda continuando por uma estrada vicinal até chegar num trecho da estrada onde - segundo informações repassadas à equipe - havia uma ponte e o suposto local da nascente. Chegando ao ponto indicado a equipe de professores constatou que não havia ponte e não encontrou nenhum sinal de água que pudesse identificar um afloramento de algum lençol subterrâneo. No local só havia areia depositada pelas enxurradas do mais recente período chuvoso. 

Com essa constatação a equipe decidiu entrar na mata através de uma trilha já aberta por madeireiros para encontrar o caminho que possibilitasse encontrar a nascente do rio. Foi uma caminhada de mais de três horas. Ao longo do caminho a equipe encontrou macacos que saltavam nas copas das árvores com seus gritos característicos assustados com os intrusos. Muitos pássaros cantaram alertando os habitantes da floresta que estavam recebendo visitas. O que mais se destacou entre os demais foi o pássaro seringueiro com seu canto forte e agudo.

 A equipe caminhou a passos rápidos mata adentro ansiosa para encontrar o local da nascente. Nenhuma pista. Nenhum sinal. Nada. 
Mais adiante, depois de um longo tempo de caminhada, a equipe desceu por dentro da mata fechada e encontrou um vale raso, cerca de uns cem metros à esquerda da trilha. Nem sinal de água. Fazendo uma última tentativa indo por fora da mata, seguindo pela estrada, a equipe encontrou a cerca de três quilômetros abaixo do local do primeiro acesso (trilha) ,dentro da reserva indígena, um trecho do Rio Roosevelt com certo volume de água.

A LOCALIZAÇÃO

No dia 16 de julho de 2012, segunda–feira, a equipe voltou ao local, e, com as orientações fornecidas pelo administrador da Fazenda Independência conseguiu finalmente descobrir a nascente e fazer a localização por GPS determinando as coordenadas geográficas. A nascente do Rio Roosevelt fica dentro da propriedade no local onde ainda existe parte da mata preservada.

Antes da localização da nascente, o momento mais difícil foi o encontro inesperado dos membros da expedição com um bando de porcos selvagens que, alertados pelo barulho da equipe, saiu em debandada por dentro da mata fazendo um tremendo barulho deixando todos preocupados com o que poderia acontecer. Os porcos selvagens são agressivos e seu ataque é fatal. A equipe de professores verificou que habitat dos porcos selvagens é o entorno da nascente onde há água e comida em abundância. Os porcos cavam poças para se refrescarem em todo vale e constroem abrigos por baixo dos troncos das árvores caídas.
A OBSERVAÇÃO
 Um fato curioso é que a nascente do Rio Roosevelt não poderia ser encontrada nem pelas informações fornecidas pela SEDAM, nem pelo mapa do IBGE. Ao longo do tempo, com a constante retirada da vegetação nativa, está havendo um deslocamento do local da nascente à jusante do rio à proporção que o manancial subterrâneo deixa de obter recarga durante o período das águas.

 A floresta nativa é extremamente importante para a manutenção do lençol freático. O intrincado sistema radicular da mata funciona como um eficiente mecanismo de retenção das águas pluviais que se acumulam no subsolo, sendo o principal responsável pelo reposição volume de água que abastece as nascentes dos rios. Outra função importante desse sistema é não permitir o carreamento de minerais e matéria orgânica pelos cursos d'água, razão pela qual são cristalinos os ribeirões pelos quais escoa a água excedente.

O MÉRITO

Um fato que merece registro: a equipe de professores envolvida com o Projeto Água, Escola e Ambiente da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Zilda da Frota Uchôa dedicada a proporcionar aos educandos da referida unidade escolar melhores condições de ensino-aprendizagem empreendeu esforços nos seus dias de folga para que os alunos pudessem realizar a pesquisa de campo, contribuindo de modo efetivo com sua formação educacional.

sábado, 14 de julho de 2012

DE ONDE VIERAM OS ÍNDIOS?


Arqueologia
América foi inicialmente povoada por três ondas migratórias da Ásia, diz estudo
Durante muito tempo havia dúvida sobre a origem dos habitantes do continente americano. Segundo os pesquisadores, este estudo põe fim ao dilema

Índia Aharaibus, norte do Rio Negro, Amazonas – 1971: seus antepassados chegaram à América pelo Estreito de Bering, há 15.000 anos (Claudia Andujar)

Os primeiros habitantes da América chegaram ao continente há mais de 15.000 anos, em três ondas migratórias vindas da Ásia, segundo o estudo de uma equipe internacional de cientistas publicado nesta quarta-feira pela revista Nature.
O estudo do genoma de uma ampla seleção de tribos indígenas americanas, do Canadá à Terra do Fogo (no extremo sul do continente americano), demonstra que a população procede de pelo menos três ondas migratórias de habitantes asiáticos que teriam chegado ao novo continente através do Estreito de Bering, na Sibéria. Durante as eras glaciais — há mais de 15.000 anos —, o Estreito permaneceu congelado e serviu como ponte entre os continentes asiático e americano.
Embora os analistas calculem que tenham ocorrido pelo menos três grandes migrações, a maioria das tribos descende da primeira delas, conhecida como os 'Primeiros Americanos', já que as outras duas se limitaram à América do Norte. "Durante anos se debateu se os habitantes da América procediam de uma ou mais migrações através da Sibéria, mas nossa pesquisa põe fim a este dilema: os nativos americanos não procedem de uma só migração", disse o cientista colombiano Andrés Ruiz-Linares, do University College de Londres, e autor principal do estudo. 

De onde vieram os índios?

As teses sobre a ocupação da América

50.000 ANOS

Algumas evidências apontam uma colonização mais antiga para a América, de até 50.000 anos. Esse é o dado obtido pela brasileira Niède Guidon na Serra da Capivara, no Piauí. A datação não foi feita com ossos humanos, mas com carvão vegetal associado ao que a arqueóloga considera antigas fogueiras. Essa hipótese é aceita por poucos pesquisadores, que acreditam que o carvão usado na datação pode ser resultado de um incêndio natural. A pesquisadora também identificou pedras que teriam sido usadas para cortar há 50.000 anos. Data posterior (40.000 anos) foi obtida num sítio do México pela arqueóloga Silvia González, a partir de cinza vulcânica associada a antigas pegadas humanas – mas outros pesquisadores, analisando os mesmos dados, dizem ter havido erro no procedimento. Fonte: Revista Aventuras na História

15.000 ANOS

É a tese defendida pelos autores da pesquisa descrita nesta reportagem, com base na análise genética dos índios americanos, do Canadá ao extremo sul do continente. É igual à tese defendida pelo antropólogo brasileiro Walter Neves, com base no esqueleto de Luzia, de 11.000 a 12.000 anos, encontrada no sítio arqueológico de Lagoa Santa, na Grande Belo Horizonte, Minas Gerais. Para Neves, Luzia é a evidência de que os antepassados dos índios vieram pelo Estreito de Bering há 15.000 anos e aos poucos ocuparam o continente. É a tese mais aceita.

11.400 ANOS

É a data defendida por parte dos arqueólogos americanos (chamados de Clovistas), com base em objetos como pontas de flechas e de lanças encontradas em um sítio arqueológico do Novo México. Essa tese sustenta que houve apenas uma entrada pelo Estreito de Bering.
Maior pesquisa genética É a maior pesquisa genética de nativos americanos até o momento, e nela os cientistas analisaram mais de 364.000 variações, detectadas no DNA de 52 tribos indígenas americanas e de 17 grupos siberianos.
A análise foi dificultada pela presença de material genético procedente de migrações posteriores, principalmente dos europeus e africanos que chegaram à América a partir de 1492. Por isso, os pesquisadores se centraram apenas nas seções do genoma que procediam totalmente dos nativos americanos. "Tecnicamente, o estudo dos povos nativos americanos representa todo um desafio devido à presença generalizada de traços europeus e africanos nos grupos nativos", disse Ruiz-Linares.

Em ondasA primeira onda migratória — os 'Primeiros Americanos' — teria se deparado com um continente desabitado e seguiu rumo ao sul pela costa do Pacífico, deixando povoações em sua passagem, um processo que teria durado cerca de mil anos e cujas linhagens podem ser rastreadas no presente.
No entanto, o DNA de quatro tribos da América do Norte demonstra que houve pelo menos duas outras ondas migratórias: a segunda percorreu a costa do Ártico até a Groenlândia, e a terceira se dirigiu rumo às Montanhas Rochosas. Essas duas levas teriam sido protagonizadas por indivíduos mais próximos à etnia han, predominante na China, do que os 'Primeiros Americanos'.

Ao avaliar o material genético da tribo dos aleútes e dos inuítes, habitantes do leste e oeste da Groenlândia, os pesquisadores constataram que metade de seu DNA procedia dos integrantes da segunda migração.
No caso dos membros da tribo canadense chipewyan, que viviam entre as Montanhas Rochosas e a baía de Hudson, os especialistas descobriram que tinham 10% do material genético em comum com os protagonistas da terceira leva migratória.
O DNA dessas quatro tribos do Norte – aleútes, inuítes do leste, inuítes do oeste e chipewyan – contém material das três ondas migratórias, mas a maior parte corresponde à primeira. Isso significa que os habitantes asiáticos da segunda e terceira ondas teriam se relacionado com os primeiros que chegaram à América.

Segundo Ruiz-Linares, isso fica demonstrado pela menor diversidade genética dos nativos da América do Sul, cujo DNA é mais próximo ao dos 'Primeiros Americanos'. "O povoamento do México rumo ao sul parece ter sido relativamente simples, com poucas misturas após a separação dos povos (até a chegada dos europeus em 1492)", disse o pesquisador.
(Com Agência EFE)

EXPLOSÕES SOLARES


NASA CAPTA IMAGENS DE EXPLOSÕES SOLARES


CAMPOS MAGNÉTICOS PODEM ATINGIR A TERRA

Essa imagem mostra como estava o Sol logo após o início da explosão solar. Nela é possível observar gigantescos redemoinhos de material solar e campos magnéticos onde a explosão começou (NASA/SDO/AIA)

Imagens de explosões solares foram captadas pela Nasa (agência nacional americana) nesta quinta-feira. Elas mostram a ejeção de massa da coroa solar (CME, pela sigla em inglês), que são "nuvens" de partículas atômicas aceleradas a altas velocidades.

EXPLOSÃO SOLAR

É uma intensa explosão de radiação que libera a energia magnética associada às manchas solares. Essas erupções são os maiores eventos explosivos do Sistema Solar. São vistas como áreas brilhantes sobre o Sol e podem durar minutos ou até horas.

CME

Sigla em inglês para “Coral Mass Ejection”, ou ejeção de massa da coroa solar. A coroa solar é feita, basicamente, de campos magnéticos. Às vezes essas massas estão confinadas e podem, de repente, liberar bolhas de campos magnéticos, chamadas de CME. Uma grande CME pode conter bilhões de toneladas de matéria que viajam a milhões de quilômetros por hora.

As explosões são provocadas pela grande atividade do Sol. Elas não podem ser vistas a olho nu, mas aparecem nas imagens de satélite como manchas brancas no sol, que podem durar minutos ou até horas. Coloridas artificialmente, essas imagens mostram grandes redemoinhos de material solar onde houve a explosão.

A que ocorreu nesta quinta-feira foi tão grande que liberou uma massa de partículas atômicas no espaço a uma velocidade de 1.360 quilômetros por segundo no espaço, de acordo com a Nasa – e elas podem atingir a Terra nesta sexta-feira.


A radiação liberada em explosões como essa pode afetar o sistema de comunicação terrestre, como radares e sinais de rádio. A que ocorreu nesta quinta não é tão forte quanto a tempestade registrada no início deste ano.

sábado, 7 de julho de 2012

CIENTISTAS AFIRMAM TER ENCONTRADO A "PARTÍCULA DE DEUS"

O bóson de Higgs é a unidade fundamental de um mecanismo que explica como as partículas ganham massa (Hemera/Thinkstock)

A confirmação da existência de uma partícula que tem grandes chances de ser o bóson de Higgs nesta quarta-feira representa o ápice de uma longa saga científica. Mais do que completar um complexo quebra-cabeças teórico proposto no início da década de 1970, o anúncio dessa misteriosa partícula coroa os esforços de milhares de cientistas ao redor do mundo que dedicaram suas vidas a entender como o maquinário fundamental do universo funciona. A verificação experimental do bóson de Higgs não trará a cura da aids nem resolverá o problema da fome do mundo, mas não deixa de ser uma vitória do homem sobre a natureza. É bom que a civilização tenha espaço para esse tipo de empreendimento.

MODELO PADRÃO

O Modelo Padrão é a melhor descrição do mundo subatômico. Existem outras, mas nenhuma que tenha tido tanto sucesso em experimentos para prever e descrever as partículas e as forças de suas interações. O Modelo Padrão oferece ferramentas teóricas para o avanço de tecnologias. A cura do câncer ou a construção de uma nave interestelar passam, em última análise, pelo sucesso de um modelo que descreva o comportamento da natureza no mais fundamental dos níveis.

BÓSON DE HIGGS

O bóson de Higgs é uma partícula subatômica prevista há quase 50 anos. Após décadas de procura, os físicos ainda não conseguiram nenhuma prova de que ela exista. O Higgs é importante porque a existência dele provaria que existe um campo invisível que permeia o universo. Sem o campo, ou algo parecido, nada do que conhecemos existiria. Os cientistas não esperavam detectar o campo, mas sim uma pequena deformação nele, chamada bóson de Higgs.

LHC

O Grande Colisor de Hádrons (do inglês Large Hadron Collider, LHC) é o maior acelerador de partículas do mundo, com 27 quilômetros de circunferência. Ele pertence ao CERN, o centro europeu de pesquisas nucleares e está instalado na fronteira franco-suíça. Em seu interior, partículas são aceleradas até 99,9% da velocidade da luz. Os experimentos ajudam a responder questões sobre a criação do universo, a natureza da matéria e fenômenos exóticos observados no espaço.

Sempre foi uma obsessão da ciência encontrar uma única teoria que explicasse todos os fenômenos da natureza, desde a constituição das partículas da matéria até as forças que as relacionam. Não porque isso pudesse resolver os problemas imediatos da humanidade, mas pelo desafio do conhecimento.

Até o início da década de 1970, o conhecimento humano do mundo subatômico era uma baderna. Havia muitas teorias – modelo quark, teoria Regge, de Calibre, Matriz-S, entre outras –, prevendo centenas de partículas e complexas relações entre elas. Mas elas só conseguiam explicar pequenos pedaços da realidade. "Não estava claro qual modelo era o correto", escreveu o físico britânico Stephen Wolfram na revista americana Wired. "Algumas teorias pareciam vazias, outras eram profundas e filosóficas. Algumas eram sofisticadas, e outras, entediantes."

As peças do modelo — No início da década de 1970, contudo, uma teoria se destacou. Nessa época os cientistas confirmaram a existência dos quarks, partículas que constituem os prótons e os nêutrons, elementos que formam o núcleo dos átomos. Essa descoberta deu força a uma teoria que viria a ser conhecida como Modelo Padrão da Física de Partículas — que previa a existência de 12 tipos de partículas elementares, suportadas por um campo que confere massa a algumas delas (como o elétron), mas não a outras (como o fóton).

O pontapé inicial para a confecção do Modelo Padrão foi dado em 1960, quando o físico americano Sheldon Glashow descobriu uma forma de combinar a força eletromagnética e as interações fracas dos átomos, duas das quatro forças fundamentais (as outras são as interações fortes dos átomos e a gravidade).

Sete anos mais tarde, Steven Weinberg e Abdus Salam afundiram as ideias de Glashow às do físico escocês Peter Higgs. Em 1964, Higgs propôs a existência de um campo com o qual as partículas interagem. Essa interação confere massa às partículas. As que não interagem com o campo de Higgs não possuem massa e estão fadadas a viajar para sempre na velocidade da luz, como os fótons, a unidade básica da luz. A unidade básica desse campo foi batizada com o nome do físico: bóson (nome dado às partículas que ‘transportam’ energia) de Higgs.

Entre 1974 e 1974 experimentos confirmaram a teoria da interação forte entre as partículas (mais uma das quatro forças fundamentais). A descoberta deu ao Modelo Padrão sua forma atual e valeu a Glashow, Salam e Weinberg o Nobel de Física de 1979.

A teoria de 'quase tudo' — Os cientistas usaram o Modelo Padrão para prever a existência de várias partículas que ainda não haviam sido verificadas na prática, e ele não decepcionou. A um custo de bilhões de dólares, foram construídos aceleradores de partículas, como o Fermilab, nos Estados Unidos e o LHC, na fronteira franco-suíça. A descoberta do quark bottom em 1977, o quark top em 1995 e o tau neutrino em 2000 deram ainda mais crédito ao Modelo Padrão, fazendo dele a melhor teoria para explicar ‘quase tudo’. Com ele, é possível explicar com sucesso uma grande variedade de resultados experimentais, exceção feita ao comportamento da gravidade, da matéria e da energia escuras e da antimatéria.

David Noir/Reuters

A partícula derradeira — De todas as partículas previstas pelo Modelo Padrão, apenas uma não havia sido verificada em experimentos: o bóson de Higgs. Sua verificação tornou-se, portanto, uma questão de honra para os teóricos. Mas não foi fácil. Os primeiros aceleradores de partícula não foram capazes de encontrá-lo. Nem os de segunda geração. Foi preciso investir 10 bilhões de dólares para a construção do Large Hadron Collider, um gigantesco anel de 27 quilômetros de diâmetro na fronteira franco-suíça, potente o suficiente para esmagar prótons a uma velocidade próxima a da luz e oferecer as condições para procurar o bóson de Higgs em regiões energéticas desconhecidas até então pela ciência. Embora não fosse seu único objetivo, a busca pelo bóson de Higgs é a principal vitrine do LHC e o principal argumento para convencer governos a gastar dinheiro público em um empreendimento de ambições puramente teóricas.

A próxima jornada – A longa espera chegou ao fim nesta quarta-feira. Isso explica o entusiasmo com que cientistas ao redor do planeta programaram encontros festivos para receber o anúncio do pesquisadores do LHC. O próprio Peter Higgs foi convidado para o anúncio. Após os resultados, disse aliviado. “Acho que o encontramos”. Em uma coletiva de imprensa na Escócia, nessa sexta-feira, disse algo que estava engasgado há mais de 40 anos. “É muito bom estar certo.”

No Brasil, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) organizou uma espécie de 'café da madrugada', com suco e salgadinhos para professores, estudantes e jornalistas na sala de computação do campus da Barra Funda, em São Paulo. Um telão exibia ao vivo o anúncio dos cientistas do LHC. Físicos brasileiros, como Sérgio Novaes e Hélio Takai, um em Genebra e outro em Nova York, vibraram com os resultados. "É, sem dúvida, o resultado mais importante dos últimos 30 anos na Física de Partículas", disse Novaes, emocionado, por teleconferência. Líder de um grupo de pesquisa da Unesp, Novaes trabalha em um dos experimentos que detectaram o bóson de Higgs e publicou — no início da década de 1980 — um dos primeiros artigos que descreviam como encontrar a partícula.

A verificação experimental do bóson de Higgs não significa a vitória completa da ciência sobre a natureza, ainda. Embora o Modelo Padrão seja a melhor descrição do mundo subatômico, ele diz respeito a apenas 4% do universo visível. O restante (96%) corresponde à matéria escura e à energia escura. Alguns cientistas ainda consideram o modelo pouco elegante por omitir a natureza da gravidade, considerada uma das forças fundamentais. São questões que ocuparam e ocupam as mentes dos mais brilhantes cientistas, como Albert Einstein, que perseguiu uma teoria unificadora até o fim de seus dias, e Stephen Hawking, que ainda luta pelo mesmo objetivo a despeito de sua condição física paralisante. Talvez o Modelo Padrão seja parte de um modelo ainda maior que inclui uma física ainda desconhecida, como propõe a Teoria de Cordas, escondida no mundo subatômico ou nos remotos e obscuros confins do universo. A incrível saga do bóson de Higgs parece ter chegado ao fim. Mas a jornada científica para entender os outros 96% do universo ainda está longe de acabar.

http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/a-incrivel-saga-do-boson-de-higgs.Acesso em 07.07.2012

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A RELIGIÃO MUNDIAL

RIO + 20 E A NOVA ORDEM MUNDIAL

Algumas considerações importantes sobre o debate entre os que defendem a idéia de que a Terra está passando por um período de aquecimento, conhecido como aquecimento global,e os que defendem uma outra que mostra com dados científicos que a Terra está esfriando.A questão ambiental está se tornando  uma religião, e para isso, já existe um deusa para ser adorada pelos ecoativistas, ongs, movimentos sociais e partidos políticos: a deusa Gaia.
Leia o post abaixo e tire suas conclusões.

Escrito por Saulo de Tarso Manriquez | 06 Junho 2012
Artigos - Globalismo

 A Deusa Gaia, a Mãe Terra objeto de adoração dos ecoativistas
De 13 a 22 de junho de 2012, o Rio de Janeiro abrigará a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Por se tratar de um evento inserido em uma agenda que visa transformar a cosmovisão de toda humanidade, fundar uma nova economia e aprofundar a agenda da Nova Ordem Mundial, cabe aos conservadores e às pessoas dotadas de bom senso refletir sobre o mesmo. 

O evento Rio+20 recebe esse nome porque marca os vinte anos da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a chamada Rio 1992.

O site da Rio+20 destaca que o evento “deverá contribuir para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas”. Mas o que seria o desenvolvimento sustentável?

Até meados de 1960, o desenvolvimento era sinônimo de crescimento econômico e industrialização: desenvolvidos eram os países industrializados e subdesenvolvidos aqueles que não possuíam uma atividade industrial significativa ou que apresentavam uma industrialização tardia. A aferição da riqueza e, portanto, do desenvolvimento, não levava em conta a realidade sobre o acesso da população a determinados bens (materiais e culturais), mas dava-se pelo Produto Interno Bruto de um país em relação à sua distribuição abstrata per capita.

A distinção entre o desenvolvimento e o crescimento econômico só começou a ganhar corpo com a consolidação da industrialização dos países ricos e com a industrialização, tardia, das nações mais pobres, a partir do que se desenvolveram estudos - amiúde intoxicados pelo dependentismo e pela ortodoxia marxista - no sentido de comparar as diferenças existentes entre os países de industrialização precoce e os países de industrialização tardia no tocante ao acesso dos pobres a determinados bens materiais e culturais (saúde e educação, etc.).

O tratamento sinonímico entre desenvolvimento e crescimento econômico permaneceu até meados da década de 1960.

O subdesenvolvimento passou a ser identificado pela presença das seguintes características: insuficiência de renda per capita anual; subalimentação de parte significativa da população; altas taxas de mortalidade infantil; alto índice de analfabetismo; baixo nível de indicadores que caracterizam a economia moderna (v.g. geração de energia elétrica, consumo de aço, etc.); falta de líderes[1]; baixos padrões médios de consumo e de qualidade de vida; mau funcionamento das instituições políticas[2].

Em 1990, criou-se, por meio da ONU, um índice que consolidou alguns critérios para a verificação do desenvolvimento: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Desde o IDH, praticamente abandonou-se a ideia de que o desenvolvimento significa tão somente crescimento econômico. O IDH leva em conta três critérios, a saber: educação, renda e longevidade. O IDH não exclui a ideia de crescimento econômico, mas passou a tratá-lo como um meio a serviço do desenvolvimento.

Vale destacar que as variáveis não econômicas do desenvolvimento ganharam novo vigor e novos contornos com a obra Development as freedom de Amartya Sen, lançada em 1999. Sen lançou uma nova dimensão sobre as variáveis não econômicas, mormente pela construção teórica das liberdades instrumentais. A instrumentalidade da liberdade na obra de Sen faz com que o desenvolvimento seja visto para além do IDH. Sen destaca o papel das instituições e dos direitos humanos, reforçando a ideia de que o desenvolvimento não pode ser reduzido ao crescimento econômico, sob pena de se acabar relativizando as instituições democráticas e de se desconsiderar a importância das liberdades e dos direitos civis para o progresso econômico[3].

Na concepção de Sen, portanto, o desenvolvimento se caracteriza por um processo de remoção das fontes de privação de liberdade, tais como a negação das liberdades civis, econômicas e políticas por regimes tirânicos, a pobreza extrema, a carência de oportunidades econômicas, negligência e(ou) insuficiência dos serviços públicos (v. g. saneamento básico, assistência médica e segurança pública)[4].

O termo “sustentável” por sua vez, decorre do desenvolvimento teórico da ideia de sustentabilidade, a qual implica, segundo José Eli da Veiga, no “duplo imperativo ético de solidariedade sincrônica com a geração atual e de solidariedade diacrônica com as gerações futuras”[5].

A noção primeira de sustentabilidade surgiu com o Relatório Brundtland (também chamado de Our Common Future), publicado em 1987. O Relatório conceitua desenvolvimento sustentável como sendo “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”[6].

Vale destacar que o termo sustentabilidade ganhou maior notoriedade com a ideia do tripé da sustentabilidade (ou triple bottom line), surgida em 1994 com a obra Cannibals with Forks: the Triple Bottom Line of 21st Century Business de John Elkington. Nessa obra, Elkington propõe que as organizações devem buscar criar valor em três dimensões: a econômica, a social e a ambiental. Na esteira de John Elkington, José Eli da Veiga afirma que a sustentabilidade busca “soluções triplamente vencedoras (Isto é, em termos sociais, econômicos e ecológicos), eliminando o crescimento selvagem obtido ao custo de elevadas externalidades negativas, tanto sociais quanto ambientais”[7].

Poderia se pensar que o desenvolvimento sustentável une o desenvolvimento (entendido sob o prisma de Amartya Sen e do IDH) e a ideia de sustentabilidade. Pensar assim, no entanto, demanda uma construção teórica aparte, um estudo propositivo. Em verdade, o conteúdo que a expressão desenvolvimento sustentável paulatinamente vem ganhando parece distanciar-se cada vez mais da valorização do ser humano, das liberdades civis e econômicas e da busca honesta pela resolução de problemas sociais e ambientais como o analfabetismo, a falta de saneamento básico (um dos mais graves problemas ambientais!) e a miséria. As liberdades públicas, as propostas de combate à miséria e a resolução de problemas básicos que afetam a humanidade até fazem parte da “agenda” do desenvolvimento sustentável, mas cada vez mais servem como “bois-de-piranha” para a passagem uma “boiada” de conceitos, valores e políticas globalistas.

Para um intérprete incauto a expressão desenvolvimento sustentável soa como uma coisa boa, pois afinal quem há de se opor ao desenvolvimento econômico aliado a uma melhoria das condições sociais e de quebra preservando o meio ambiente? Ademais, tendo em vista que a expressão tornou-se um mantra, repetido em todo lugar, torna-se difícil para o cidadão comum ver aí qualquer coisa ruim.

Ocorre, no entanto, que o discurso do desenvolvimento sustentável pouco preza pela harmonização dos “pés” da sustentabilidade. O discurso muda conforme o auditório. Para um público composto por empresários, ruralistas, estudantes de administração, economia, engenharia e direito ainda há certa moderação e, por isso mesmo, ainda subsiste um discurso que diz que o desenvolvimento sustentável deve harmonizar fatores econômicos, sociais e ambientais. Para os cientistas sociais e para todos aqueles que ainda bebem na fonte do marxismo ortodoxo o “pé” mais importante ainda é o social: a degradação ambiental é um detalhe no meio da opressão social causada pelo capitalismo. Para as demais pessoas prevalece o “pé” do meio ambiente. A existência de um discurso moldável ao público a que se destina mostra, por si só, que há uma distorção na suposta harmonização de variáveis alegada pelos defensores mais honestos da sustentabilidade.     
Os discursos intelectualmente honestos nas propostas de desenvolvimento sustentável só atingem um público pequeno e por serem raros, não surtem um efeito neutralizador em relação ao hegemônico discurso ambientalista.           
Recentemente o filósofo Olavo de Carvalho trouxe à tona o conceito jornalístico do termo suíte. Na linguagem jornalística, há o suíte quando um jornal ou diversos jornais dão prosseguimento a um assunto noticiado, ou seja, quando há repercussão. Assim, de nada adianta a Band entrevistar José Carlos Molion ou o Programa do Jô entrevistar Ricardo Augusto Felício, permitindo que esses cientistas apresentem argumentos contrários à hipótese do aquecimento global antropogênico e ao ambientalismo radical, se os argumentos aí mostrados não serão repercutidos e colocados na pauta do debate público. Prevalece a hipótese aquecimentista e o falatório ambientalista.

Os programas de TV, as campanhas e as políticas pró-sustentabilidade, e a educação infantil sobre a sustentabilidade privilegiam o meio ambiente e colocam a humanidade como uma espécie de vírus que assola o planeta. Mas por que isso acontece? Por causa das teorias globalistas, novordistas e new agers que são, quase que necessariamente, o preâmbulo de toda discussão sobre o desenvolvimento sustentável.
           
O discurso moderno da sustentabilidade encontra suas raízes no Clube de Roma, que foi fundado em 1968. O Clube de Roma reúne celebridades políticas, acadêmicas e empresariais para debater temas como política, economia e meio ambiente. O Clube ganhou notoriedade em 1972, com a publicação do relatório intitulado The limits of growth (Os Limites do Crescimento) ou Relatório do Clube de Roma. Dentre os temas abordados pelo relatório estão: energia, poluição, saneamento, saúde, meio ambiente, tecnologia e crescimento populacional. O relatório trabalha contra dois tipos de crescimento, o econômico (no sentido industrial) e o populacional, o quais levariam a um esgotamento dos recursos e a níveis de poluição que a Terra não seria capaz de suportar.
           
No mesmo ano em que se publicou o Relatório do Clube de Roma realizou-se, por meio da ONU, a Conferência de Estocolmo, que versou sobre a relação entre a humanidade e a natureza, adotando um discurso contrário à industrialização.
           
Também em 1972, o químico James Lovelock apresentou ao mundo a Hipótese de Gaia, a qual resgata o conceito pagão da deusa-mãe, a Mãe Natureza, a Mãe Terra, e concebe a Terra como um ser vivo que busca seu equilíbrio, por assim dizer, “homeostático”. Na obra de Lovelock a humanidade é colocada como elemento desestabilizor desse equilíbrio.  
           
Sete anos após a publicação do Relatório do Clube de Roma foram erigidas as famosas Pedras Guia da Geórgia, um monumento que traz uma espécie de decálogo novordista escrito em oito idiomas. Dentre os mandamentos vale destacar o primeiro e o décimo. Alinhado com o Relatório do Clube de Roma, o primeiro mandamento diz “Maintain humanity under 500,000,000 in perpetual balance with nature”. Já o décimo mandamento traz todo o desprezo dos planejadores globais pela humanidade, pois vê em cada ser humano um câncer potencial: “Be not a cancer on the earth - Leave room for nature”.
           
Os passos seguintes foram o Relatório Bruntland e a Rio-92 (também chamada de Cimeira da Terra), a qual globalizou de vez a questão ambiental.
           
Não se pode negar que o Relatório Bruntland defende medidas interessantes, como a reciclagem de materiais reaproveitáveis, incentivo ao planejamento urbano (no sentido de proteger mananciais e diminuir os impactos negativos das atividades industriais sobre a sua vizinhança) e adoção de políticas governamentais que atendam necessidades básicas da população. Contudo, o Relatório também propôs a limitação do crescimento populacional, o banimento das guerras e concebeu a ONU como protagonista e coordenadora de um programa global de desenvolvimento sustentável.

A Rio 92, por sua vez, resultou numa série de documentos e convenções, tais como a Carta da Terra, a Convenção Sobre Mudanças Climáticas e a Agenda 21. A Carta da Terra exulta o surgimento de uma sociedade civil global que servirá para “construir um mundo democrático e humano” e, alinhada com a espiritualidade da Nova Era, propõe a promoção de uma “cultura de tolerância, não-violência e paz” (para tanto, propõe, por exemplo, a desmilitarização dos sistemas de segurança nacional[8]). A Carta da Terra ainda enfatiza a necessidade de se “adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito” (quem definirá esse “estilo de vida”?). Já a Convenção Sobre Mudanças Climáticas preparou o terreno para a elaboração do Protocolo de Kyoto e para o fortalecimento da hipótese do aquecimento global antropogênico. E a Agenda 21, por sua vez, estabelece que o desenvolvimento sustentável deve ser arquitetado em âmbito global com o apoio dos países. Embora cada país tenha sua própria Agenda 21, as diretrizes para a elaboração da agenda vêm da cúpula globalista.     

De certa forma, a construção teórica do desenvolvimento conseguiu neutralizar as propostas revolucionárias da teoria da dependência e o discurso anti-industrialização do Clube de Roma. Já o desenvolvimento sustentável, por ser parte de uma agenda globalista, dificilmente se afastará do radicalismo ambientalista, das pretensões novordistas e do seu elemento, por assim dizer, “espiritual”, o movimento da Nova Era.

A precariedade de abordagens sinceras sobre a relação entre economia, sociedade e meio ambiente e a preferência pelos referenciais teóricos globalistas e neopagãos torna a defesa do desenvolvimento sustentável uma mera engrenagem de um projeto globalista.

Os totalitaristas sabem que não podem implantar a Nova Ordem Mundial de supetão, por isso se valem de propostas aparentemente bem intencionadas para camuflar seus mais macabros projetos. O processo de justificação da Nova Ordem Mundial está em marcha e conta com o apoio da mídia, de governos, de diversas empresas, de ONGs e de inúmeras instituições renomadas de ensino superior.

O evento Rio+20 não é apenas a continuação da Rio-92. As raízes da Rio+20 são bem mais profundas; é a continuidade de uma estratégia lançada pelo Clube de Roma.


Embora a Rio+20 se proponha a “definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas”, cumpre destacar que essa agenda já existia e o evento, na verdade, é apenas mais um item dessa agenda. A agenda na qual a Rio+20 se insereé chamada de agenda do desenvolvimento sustentável, mas na verdade é a agenda da Nova Ordem Mundial, a qual propõe uma espiritualidade anti-cristã, o abortismo, a supressão gradual das liberdades civis e da soberania dos Estados.


Referências:

[1] BARRE, Raymond. Economia política vol. 1. Rio de Janeiro – São Paulo: Difel, 1978, p. 100-102.
[2] Cf. NUSDEO, Fábio. Curso de economia. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2001, p. 347.
[3] SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 19-20.
[4] Idem, p. 17-18.
[5] VEIGA, José Eli da. Desenvolvimento Sustentável – o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2005, p. 171.
[6] Our Common Future, Chapter 2: Towards Sustainable Development. Disponível em: http://www.un-documents.net/ocf-02.htm#I
[7] VEIGA, José Eli da. Desenvolvimento Sustentável..., p. 171-172.
[8] Recentemente a ONU solicitou a extinção da Polícia Militar brasileira.


Saulo de Tarso Manriquez
é mestre em Direito pela PUC-PR.