terça-feira, 8 de novembro de 2011

Verdades e mentiras do Censo da Educação Superior

Sala de provas do vestibular da FUVEST na Faculdade de Educação da USP, São Paulo/SP (Eduardo Knapp/Folhapress)

Enquanto o Plano Nacional de Educação (PNE) 2001-2010 previa atingir a meta de 30% de jovens em universidades, o número não passou de 14,4%
Branca Nunes

Embora se note um certo imobilismo no universo de estudantes matriculados em cursos universitários presenciais, aumentou consideravelmente a procura por cursos tecnológicos e a distância
O Censo da Educação Superior 2010 confirma que as estatísticas podem não mentir, mas quase sempre omitem parte da verdade. Divulgado nesta segunda-feira, o estudo aponta, por exemplo, que o número de matrículas no ensino superior aumentou 110% entre 2001 e 2010. Mas a papelada esquece de registar que o número de jovens (entre 18 e 24 anos) matriculados em cursos superiores cresceu apenas 2,4 pontos percentuais no mesmo período – de 12%, em 2001, para 14,4%, em 2010, segundo dados do próprio Ministério da Educação (MEC). Segundo o Plano Nacional de Educação (PNE) 2001-2010, o governo federal pretendia chegar a 30%.
Como não conseguiu atingir nem metade da porcentagem, o novo PNE, que faz previsões para a próxima década, resolveu repetir a meta. Agora, espera-se atingir 33% de jovens matriculados no ensino superior. Só que o prazo se estendeu até 2020. “Quando observamos esses números, percebemos que ainda estamos engatinhando”, constata Mozart Neves Ramos, membro do Conselho Nacional de Educação e conselheiro do movimento Todos pela Educação. “O México e o Chile têm de 30% a 40% dos jovens no ensino superior. Na União Europeia, o número salta para 70%”. A informação ajuda a explicar por que – apesar da chiadeira do governo federal – o Brasil continua na 84ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
A classe C - Para Ramos, a baixa qualidade dos ensinos fundamental e médio é uma das explicações para o reduzido número de jovens brasileiros matriculados em universidades. Quando entram na universidade, muitos estão despreparados para acompanhar as aulas e desistem facilmente. Em março deste ano, numa entrevista ao site de VEJA, Eduardo Alcalay, diretor-presidente da Universidade Estácio de Sá, contou que a faculdade implantou aulas de reforço escolar de português e matemática para tentar mudar tal realidade. Na mesma época, Heitor Pinto Filho, então reitor da Uniban, revelou que a taxa de evasão chegava a 15% no primeiro ano – justamente porque as aulas mais complexas eram incompreensíveis para alguns alunos.
Além do déficit de aprendizado, as desistências no meio do curso universitário são causadas por dificuldades financeiras e pelo próprio perfil do estudante da classe C – público alvo das grandes universidades privadas do país. “Nosso estudante padrão vem de uma classe social baixa e frequenta o curso noturno, depois de ficar o dia inteiro no trabalho”, informou Pinto Filho. “A família desse aluno sai de uma categoria D e vai para uma B justamente por causa desse estudante. Na maioria das vezes, ele é a primeira pessoa a conseguir fazer uma faculdade naquela casa”. Alcalay resume o objetivo das dessas instituições de ensino: “O que queremos é que o aluno chegue aqui como um office boy que ganha 1.000 reais por mês e saia um analista contábil ganhando 3 mil reais”.


Presencial X à distância - O perfil desse novo estudante universitário é exposto no censo 2010. Na última década, as matrículas em cursos noturnos, por exemplo, passaram a representar 63,5% do total – contra 56,1% em 2000. Nas instituições privadas, elas correspondem a 72,8% das matrículas. Embora se note um certo imobilismo no universo de estudantes matriculados em cursos universitários presenciais, aumentou consideravelmente a procura por cursos tecnológicos e a distância. Em 2001, os cursos tecnológicos registravam 69.797 matrículas. Em 2010, o número saltou para 781.609.
Hoje, a modalidade não-presencial representa mais de 14% dos estudantes do ensino superior. Segundo o censo, a faixa etária média desses alunos é de 33 anos (contra 26 do ensino presencial). Isso significa que um contingente significativo não teve chances de ingressar numa faculdade na idade adequada. A procura também é explicada pela flexibilidade de horários, uma vez que muitos já estão inseridos no mercado de trabalho.


“O Brasil se tornou economicamente mais competitivo”, explica Célio Cunha, professor do programa de doutorado na área de educação da Universidade de Brasília (UnB). “Isso explica o aumento na procura por cursos tecnológicos, que têm como função diminuir a carência de mão de obra especializada”. Embora elogie o aumento dos cursos a distância, “uma tendência mundial”, Cunha adverte: “É preciso que eles sejam avaliados com mão firme, para que possamos garantir a qualidade”.
Outro ponto levantado pelo censo é que a participação percentual no número de matrículas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste aumentou de 2001 para 2010. Em contrapartida, houve um decréscimo da participação das regiões Sudeste e Sul. Enquanto o volume de nordestinos matriculados em universidades representava 15,2% do total do país há uma década, em 2010 foi de 19,3%. Os universitários do Sudeste eram 51,7% em 2001. Em 2010, 48,7%. As mulheres continuam em maioria: 56,3% em 2001 e, 10 anos depois, 57%.


O docente - Tanto Cunha quanto Ramos acreditam que a qualidade do ensino fundamental e médio e, consequentemente, a do superior, só será alcançada com a valorização do corpo docente. “A escola tornou-se desinteressante, os currículos estão defasados”, argumenta Cunha. Ramos afirma que o magistério precisa se tornar uma carreira atraente, o único caminho para se formar bons professores.
Ex-secretário da educação de Pernambuco, Ramos insiste numa questão que considera fundamental. “É preciso saber que faculdades diferentes têm missões diferentes”, compara. “Não é necessário que todas as universidades tenham a excelência em pesquisa de uma USP tem. Uma instituição localizada no interior do Nordeste pode, por exemplo, formar professores para trabalharem naquela zona. Isso não a desmerece”. É por isso, insiste, que deveria haver avaliações diferentes para universidades públicas e privadas, ou mesmo para as diferentes regiões brasileiras.
De acordo com Ramos, o s 33% pretendidos pelo PNE só serão alcançados com essas três mudanças básicas: maior qualidade dos ensinos fundamental e médio, qualificação do corpo docente e avalições diferenciadas para as várias universidades. Quem sabe assim as estatísticas se aproximarão um pouco mais da verdade.


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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um novo apartheid?

O Brasil é um país mestiço. Única experiência de mistura de várias populações em todo o mundo.Os adeptos da ideologia AFRO querem empurrar de goela abaixo seus traumas, fobias e sua incapacidade de perceber que não existem raças, todavia,populações que possuem cor da pele diferentes além de outros traços físicos.
Como diria o antropólogo Darci Ribeiro “Somos uma experiência única no mundo”.Em junho de 2010,os ideólogos racistas pressionaram e conseguiram aprovar- em rito sumário - a primeira lei racial da história do Brasil.Um novo apartheid?
Querem implantar no Brasil uma espécie de apartheid entre brancos e negros. Usam a cor da pele para privilegiar um grupo populacional sem base legal ou científica. A Constituição Federal no seu artigo 5º assegura a igualdade entre todos os brasileiros.Cabe ao Supremo Tribunal Federal invalidar a única lei racial da República.Uma excrescência introduzida por racialistas de plantão no imaginário popular através de ONGs e movimentos que tungam o dinheiro público para promover a desigualdade entre os iguais.
Veja a reportagem abaixo:

A importância do mito da democracia racial no Brasil


A força da lenda fez com que jamais se tolerasse neste país qualquer tipo de limitação de direitos baseado na cor da pele.

Por Roberta Fragoso Kaufmann

Ainda que se discorde tanto da existência da democracia racial, como do homem cordial no Brasil, não se pode negar a importância da fixação desses mitos. A importância do mito da democracia racial no Brasil tem valor à medida que serve  para fixar a expectativa de conduta a ser seguida pelo homem médio que compõe a sociedade. O mito, então, funciona como um desejo da sociedade sobre algo a ser concretizado, e não simplesmente como uma mentira.

No Brasil, diferentemente do que aconteceu em outros países racialistas, a força do mito da democracia racial fez com que jamais se tolerasse neste país qualquer tipo de limitação de direitos baseado na cor da pele. Não há qualquer proibição de que os negros dividam com os brancos a vizinhança em prédios luxuosos ou, então, que compartilhem da pobreza nas favelas. Essa, talvez, seja uma das funções do mito: incentivar, no imaginário social, a intolerância geral à discriminação.

Manifestações isoladas de preconceito e de discriminação, por outro lado, sempre existirão, em qualquer sociedade, porque não se pode dominar a esfera do pensamento individual. Mas as leis e os costumes sociais no Brasil já agem incessantemente para impedir que o preconceito se propague e se transforme em discriminação ou racismo. O mito serve como freio na conduta humana, fixando o paradigma do comportamento que se espera do homem médio e o modelo da atitude e das reações que devem ser tomadas e seguidas.

Desse modo, atribuir toda a culpa das desigualdades sociais sofridas pelo negro ao preconceito e à discriminação é uma redução simplista do problema. Apesar de existentes, o preconceito e a discriminação no país não serviram para impedir a formação de uma sociedade plural, diversa e miscigenada, na qual os valores nacionais em grande parte se identificam com os valores da comunidade negra. E, sobretudo, não serviram de impedimento para que muitos pardos e pretos conseguissem alcançar postos de destaque nos mais amplos espectros sociais, como na política, na magistratura, na universidade, nos esportes e nas artes. Não é à toa que já tivemos o nosso primeiro presidente negro no Brasil, Nilo Peçanha, no ano de 1909, exatos cem anos antes da eleição do Barack Obama.

Cultura da miscigenação

No Brasil, a existência de valores nacionais, comuns a todas as cores parece quebrar o estigma da classificação racial maniqueísta. Encontram-se elementos da cultura africana em praticamente todos os ícones do orgulho nacional, seja na identidade que o brasileiro possui, seja na imagem do país difundida no exterior, como samba, carnaval, futebol, capoeira, pagode, chorinho, mulata e molejo.  Por não ter havido a separação das pessoas por causa da cor, foi possível criar um sentimento de nação que não distingue a cultura própria dos brancos da cultura dos negros. A unidade do Brasil não depende da pureza das raças, mas antes da lealdade de todas elas a certos valores essencialmente brasileiros, de importância comum a todos.

Assim, o problema da relativa falta de integração do negro às camadas sociais mais elevadas pode ser resolvido no Brasil sem que desperte manifestações de ódio racial extremado ou violento. Isso somente se torna possível porque, no âmbito social, a nossa comunidade foi capaz de se desenvolver a partir da interpenetração das culturas as mais diversas e, na esfera biológica, houve uma forte miscigenação entre os grupos de todas as cores. Tentar implementar ações afirmativas em que a raça seja o único critério levado em consideração poderá, de alguma forma, afetar esse relativo equilíbrio existente no Brasil e, em vez de promover a inserção dos negros, criar esferas sociais apartadas, daqueles que são/foram beneficiados pelas medidas e dos que não são/não foram.

Cotas raciais: Brasil vs. EUA

Não podemos incidir no erro de querer mitigar as diferenças entre o Brasil e os Estados Unidos. Muitos autores que escreveram sobre as ações afirmativas procuram destacar que as diferenças entre os países residem tão-somente na forma de encarar o problema: os Estados Unidos fizeram a opção por não usar de subterfúgios, atacando diretamente a questão, enquanto que, no Brasil, aparentemente não se discute o tema e, portanto, se difunde a ideia de que vivemos em um paraíso racial.

O raciocínio realizado é sofístico e válido apenas superficialmente. As diferenças existem, são muitas, e por isso ensejam formas diferentes de encarar a realidade. O fato de em ambos existir preconceito e discriminação não significa que a origem do preconceito esteja no mesmo fato: a ancestralidade africana. No Brasil, muitas vezes a ascendência africana pode ser suavizada, outras vezes esquecida, seja por questões econômicas — a assertiva de que no Brasil negro rico vira branco e pobre branco vira negro — seja pelo fenótipo apresentado — a chamada válvula de escape do mulato.

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Mapeamento das nascentes dos rios de Vilhena





Alunos do ensino médio matutino da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Zilda da Frota Uchôa,professores de diversas disciplinas e colaboradores estão desenvolvendo um projeto científico que objetiva realizar o mapeamento das nascentes dos rios que têm sua origem em Vilhena -Rondônia (Chapada dos Parecis) e das áreas de preservação permanentes do seu entorno.
A abordagem tem cunho interdisciplinar.Cada equipe trabalha sob a coordenação de um professor (a) fotografando, filmando, colhendo amostras da fauna (insetos), flora (vegetais, flores frutos, sementes), solo  e/ou registrando a presença das espécies presentes na  área em estudo. A localização precisa de cada nascente estudada é realizada com a utilização de equipamento de GPS para o registro das coordenadas geográficas.
Cada expedição é previamente agendada para que todas as equipes possam participar em dia e hora marcados.
São parceiros no projeto a Prefeitura Municipal de Vilhena – que fornece o transporte dos alunos até o local do evento; o SAAE – Serviço Autônomo de Águas e Esgotos com a coleta e análise das águas das nascentes e dos reservatórios.São realizadas análises físico-química e bacteriológica para dar embasamento científico à pesquisa de campo realizada pelos alunos do projeto.O Corpo de Bombeiros de Rondônia, Unidade de Vilhena - participa com uma viatura prestando todo apoio aos trabalhos desenvolvidos pela expedição.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A mulher que mudou Cuba



Expresso o meu respeito e minha admiração a uma mulher corajosa.
O amor e a dedicação à família falaram mais alto do que a ideologia política.A tirania do regime cubano não consegui calar a voz de Laura Pollán. A falha no atendimento médico desfechou um golpe fatal contra a Dama de Branco que liderava a luta pela liberdade na ilha.Minhas condolências à família enlutada.Para as Damas de Branco de Cuba: Continuem a luta!!Hasta la vitória!!

O texto abaixo foi publicado no Jornal O Estado de São Paulo, terça-feira, 19.10.2011 por

Yoani Sánchez
Oito anos atrás, Laura Pollán era uma professora escolar que morava com o marido, Hector Maseda, líder do Partido Liberal Cubano, ilegal na ilha caribenha. A família tentava levar uma vida normal na pequena casa na Rua Netuno, em Havana.
Numa certa alvorada, batidas na porta mudaram a vida do casal. Depois de uma longa revista e um julgamento sumário, Maseda foi detido e sentenciado a 20 anos de prisão, acusado de agir contra a segurança nacional. O crime: imaginar uma Cuba diferente, opor-se politicamente às autoridades e expressar tais opiniões por escrito.
Setenta e cinco membros da oposição foram detidos e condenados naquele março de 2003, época marcada na história cubana como a Primavera Negra. O governo esperava que esse golpe convencesse cidadãos descontentes a abandonar as fileiras dos manifestantes. Acreditava também que mulheres, mães e filhas dos prisioneiros políticos permaneceriam caladas.
Assim nasceram as Damas de Branco, grupo de mulheres que, por meio da luta pacífica, exigiu e conseguiu a libertação de todos os prisioneiros de consciência. No início, o movimento pareceu pequeno e desorganizado, levando-se em consideração os quilômetros de distância que separavam uma mulher da outra. Mas a indignação delas funcionou como elemento unificador, e suas marchas pelas ruas de Havana, vestidas de branco e carregando um gladíolo, se seguiram domingo após domingo por mais de sete anos. Uma voz se destacou entre elas: a de uma mulher de baixa estatura e olhos azuis que lecionava espanhol e literatura a adolescentes.
Laura Pollán estava se firmando como porta-voz e líder das Damas de Branco, dedicadas à defesa dos direitos humanos e à libertação dos seus entes queridos. Num país movido pela polarização do discurso ideológico, elas se mostravam diferentes. Não optaram por se organizar em torno de uma doutrina, mas sim da inatacável posição da afeição familiar. Assim conquistaram a simpatia de muitos na ilha. Provocaram as autoridades, que deram início a uma campanha de insultos contra elas.
Se houve um grupo que a mídia cubana difamou além dos limites do crível, foi o das Damas de Branco. O regime lançou uma espécie de guerra midiática. “Comícios de repúdio” – ônibus lotados de manifestantes “espontâneos” convocados para berrar insultos e até para agredir – fizeram da porta da frente de Laura Pollán seu altar principal.
Jornalistas oficiais as chamavam de “Damas de Verde”, alusão ao apoio econômico recebido dos cubanos no exílio para que pudessem levar comida aos maridos aprisionados. O governo hesitou em recorrer aos cofres públicos para financiar ataques políticos. Parte do dinheiro – que poderia ser usado para alimentar os cubanos – foi gasto arrancando das mãos dessas mulheres necessitadas cada centavo que chegava a elas.
A imprensa nacional continuou a difamar Laura até no dia 7 de outubro, quando ela deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital de Havana para tratar de dores nos ossos, falta de ar e fraqueza extrema.
Levando-se em consideração a gravidade do estado dela, funcionários do governo pediram à família que a paciente fosse transferida para uma clínica de luxo reservada aos militares. “Quero ficar no hospital do povo”, disse ela. Morreu sexta-feira, depois de um atraso de cinco dias até a conclusão do diagnóstico, dengue, num país que há meses sofre com uma epidemia forte da doença.
O Granma, jornal oficial do Partido Comunista, se manteve em silêncio – como todos os jornais das províncias. O regime Castro nunca foi capaz de fazer uma breve pausa na sua beligerância, de oferecer condolências. Esse silêncio também emana do medo em relação à pequena professora de espanhol, medo que faz o governo engolir em seco. A líder das Damas de Branco está morta, e ninguém em Cuba poderá carregar um gladíolo nas mãos sem pensar em Laura Pollán.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

BC tem prejuízo de 44,2 bilhões

Em 2010 o Banco Central fechou com prejuízo de 44,2 bilhões de reais decorrentes dos juros pagos aos credores de títulos da dívida pública para manter as reservas internacionais do país. O custo para manter reservas em moeda estrangeira reduz os investimentos em infra-estrutura,educação saúde e segurança e programas sociais.Os investidores brasileiros obtêm lucros expressivos em títulos de renda fixa que não possuem nenhum risco. Foram repassados aos credores nacionais mais de 230 bilhões de reais no ano passado. O Brasil captou dinheiro no mercado financeiro pagando juros de 12,5% ao ano, para comprar títulos da dívida pública dos Estados Unidos com rendimentos anuais que variam de 0 a 0,25%.A diferença entre os juros pagos e recebidos formam o déficit do Banco Central que vem aumentado a cada ano conforme aumenta o volume das reservas em dólares.Segundo relatório da Gestão das Reservas Internacionais do BC em agosto deste ano o Brasil possui reservas no valor de US$ 352,5 bilhões. Composição das reservas brasileiras:6,1% Dólar canadense;3,1% Euro;81,81% Dólar americano. Como se vê, o governo sacrifica a sociedade e priva a população pobre de seus direitos elementares com a finalidade de manter as reservas cambiais.
Por Dimas Cunha

domingo, 10 de julho de 2011

O cristianismo é moralmente superior à esquerda materialista.

O texto, abaixo, permite vislumbrar uma ruptura com o estado de coisas que grassa as instituições de ensino, a imprensa (com raras exceções) os escritores, movimentos sociais, artistas e parte da sociedade.Vivemos um momento semelhante ao período da ditadura militar(1964-1985) quando não tínhamos a liberdade de discordar do sistema nem do Estado ou pensar diferente. É a síndrome do " politicamente correto": sempre dizer sim e nunca dizer não.Não discordar, sempre concordar, ainda que não saiba porque está concordando. As forças políticas que atualmente dominam o país reune a elite do atraso e do autoritarismo. As figuras mais espúrias da República ocupam os cargos mais elevados. Alguns foram eleitos com a ajuda de um homem que, esquecendo sua origem, aprendeu a construir a sua história destruindo a reputação e a dignidade dos outros.Outros, mesmo derrotados nas urnas, foram premiados com cargos no mais alto escalão do governo. Até quando?
Ainda jovem comecei minha luta política em busca da liberdade de consciência no período em que vigorava no país o regime de exceção: a ditadura. Hoje, a patrulha ideológica em pleno estado de direito não permite a crítica ou a discordância.
O texto é longo, mas vale a pena.
Excelente a entrevista do professor e filósofo Luiz Felipe Pondé a Jerônimo Teixeira, nas “Páginas Amarelas” da VEJA desta semana. Reprodução de alguns trechos.

Luiz Felipe Pondé, de 52 anos, é um raro exemplo de filósofo brasileiro que consegue conversar com o mundo para além dos muros da academia. Seja na sua coluna semanal na Folha de S.Paulo, seja em livros como o recém-lançado “O Catolicismo Hoje” (Benvirá), ele sabe se comunicar com o grande público sem baratear suas idéias. Mais rara ainda é sua disposição para criticar certezas e lugares-comuns bem estabelecidos entre seus pares. Pondé é um crítico da dominância burra que a esquerda assumiu sobre a cultura brasileira. Professor da Faap e da PUC. em São Paulo, Pondé, em seus ensaios, conseguiu definir ironicamente o espírito dos tempos descrevendo um cenário comum na classe média intelectualizada: o jantar inteligente, no qual os comensais, entre uma e outra taça de vinho chileno, se cumprimentam mutuamente por sua “consciência social”. Diz Pondé: “Sou filósofo casado com psicanalista. Somos convidados para muitos jantares assim. Há até jantares inteligentes para falar mal de jantares inteligentes”. Estudioso de teologia, Pondé considera o ateísmo filosoficamente raso, mas não é seguidor de nenhuma religião em particular. Eis um pensador capaz de surpreender quem valoriza o rigor na troca de idéias.
-Em seus ensaios, o senhor delineou um cenário exemplar do mundo atual: o jantar inteligente. O que vem a ser isso?É uma reunião na qual há uma adesão geral a pacotes de idéias e comportamentos. Pode ser visto como a versão contemporânea das festas luteranas na Dinamarca do século XIX, que o filósofo Soren Kierkegaard criticava por sua hipocrisia. Esse vício migrou de um cenário no qual o cristianismo era a base da hipocrisia para uma falsa espiritualidade de esquerda. Como a esquerda não tem a tensão do pecado, ela é pior do que o cristianismo.
(…)
Não há lugar para um pensamento alternativo nem na hora da sobremesa?Não. A gente teve anos de ditadura no Brasil. Mas, quando ela acabou, a esquerda estava em sua plenitude. Tomou conta das universidades, dos institutos culturais, das redações de jornal. Você pode ver nas universidades, por exemplo, cartazes de um ciclo de palestras sobre o pensamento de Trotsky e sua atualidade, mas não se vêem cartazes anunciando conferências sobre a critica à Revolução Francesa de Edmund Burke, filósofo irlandês fundamental para entender as origens do conservadorismo. Não há um pensamento alternativo à tradição de Rousseau, de Hegel e de Marx. Tenho um amigo que é dono de uma grande indústria e cuja filha estuda em um colégio de São Paulo que nem é desses chiques de esquerda. É uma escola bastante tradicional. Um dia, uma professora falava da Revolução Cubana corno se esse fosse um grande tema. Ela citou Che Guevara, e a menina perguntou: “Ele não matou muita gente?”. A professora se vira para a menina e responde: “O seu pai também mata muita gente de fome”. O que autoriza um professora a usar esse tipo de argumento é o status quo que se instalou também nas escolas, e não só na universidade. O infantilismo político dá vazão e legitima esse tipo de julgamento moral sumário.
Como essa tendência se manifesta na universidade?O mundo das ciências humanas, em que há pouco dinheiro e se faz pouca coisa, é dominado pela esquerda aguada. Há muito corporativismo, e a tendência geral de excluir, por manobras institucionais, aqueles que não se identificam com a esquerda. Existe ainda a nova esquerda, para a qual não é mais o proletariado que carrega o sentido da história, como queria Marx. Os novos esquerdistas acreditam que esse papel hoje cabe às mulheres oprimidas, aos índios, aos aborígines, aos imigrantes ilegais. Esses segmentos formariam a nova classe sobre a qual estaria depositada a graça redentora. Eu detesto política como redenção.
(…)
Por que o senhor deixou de ser ateu? Comecei a achar o ateísmo aborrecido do ponto de vista filosófico. A hipótese do Deus bíblico, na qual estamos ligados a um enredo e um drama morais muito maiores do que o átomo, me atraiu. Sou basicamente pessimista, cético. descrente, quase na fronteira da melancolia. Mas tenho sorte sem merecê-la. Percebo uma certa beleza, uma certa misericórdia no mundo, que não consigo deduzir a partir dos seres humanos, tampouco de mim mesmo. Tenho a clara sensação de que às vezes acontecem milagres. Só encontro isso na tradição teológica.
Post publicado originalmente às 19h25 deste sábado
Por Reinaldo Azevedo
Tags: Cristianismo, Luiz Felipe Pondé, materialismo

domingo, 3 de julho de 2011

O Homem (I)

Ao longo da história, muitas têm sido as definições encontradas pelo homem sobre si mesmo. Afinal o que é o homem? É um ser pensante que percebe a sua existência e em função disso questiona e vive em busca de respostas. É um ser metafísico, porque é espiritual. Não é um ser estático porque está sempre em movimento, transformando e sendo transformado.Traz consigo a imagem e semelhança de Deus, a herança e o traço divino. O homem é matéria animada que pensa e que fala. Matéria vivificada pelo sopro de Deus. É corpo e alma, uma unidade dentro da diversidade. É um ser plural e tem dimensão espiritual, religiosa, social, cultural e política.
Jamais será um deus porque é finito e limitado. Sua natureza pecaminosa o torna um ser distante de Deus. Sua queda o lançou no mais profundo abismo cheio de dificuldades e sofrimentos.
O homem tem pleno conhecimento e perfeita compreensão do mundo em que vive. Atualmente experimenta a maior abundância de bens e riquezas, possibilidades e poderio econômico. Entretanto, muitos são atormentados pela fome e pela miséria. Apesar de tantas possibilidades e condições favoráveis para o homem moderno, o contingente dos excluídos aumenta a cada dia.
Inúmeros conflitos de ordem política, religiosa, étnica e ideológica afligem as nações do mundo. O homem experimenta uma constante situação de conflito consigo mesmo e com seus semelhantes. O homem sempre deseja mostrar sua superioridade diante dos seus iguais, oprimindo-os escravizando-os.
Que dizem as Escrituras sobre essa situação? Qual é o papel da igreja?
A antropologia e filosofia têm auxiliado a Teologia na formação de seu discurso. As revelações bíblicas sobre a criação do homem sua queda e condição diante de Deus e sua restauração é o legado que nos deu o judaísmo.
Uma teologia contextualizada e ativa faz-se necessário para mostrar ao homem caído o caminho certo a seguir.
O homem é o fator das transformações ocorridas ao longo da história. A evolução tecnológica dos meios de comunicação tem acelerado esse processo de mudanças em todos os níveis da sociedade. Como modelar a forma de pensar, o domínio do tempo através dos acontecimentos históricos e acompanhar tantas evoluções em tão curtos espaços de tempo?