Geografia,Economia, Meio Ambiente, Geologia, História,Filosofia, Ciências, Literatura, Geopolítica.
sábado, 26 de abril de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
MEIO AMBIENTE
GRUPO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL VILHENA SUSTENTÁVEL
http:/vilhenasustentável.wix.com/ipeamarelo
facebook.com/vilhenasustentavel
por Dimas Cunha
Macrodrenagem
Em
atividade de campo realizada em 21 de abril de 2014 uma equipe do Grupo de
Educação Ambiental Vilhena Sustentável visitou as obras do Sistema de
Macrodrenagem Galerias de Águas Pluviais e Canais de Drenagem Urbana realizadas
pela Prefeitura Municipal de Vilhena em parceria com o Ministério das Cidades
com recursos da Caixa Econômica Federal
no município. Foi inspecionada pela equipe as obras já concluídas do
canal de escoamento das águas pluviais e esgotos e a Lagoa de Decantação, cujo
despejo será realizado na área das nascentes do Rio Barão de Melgaço (Rio
Comemoração, na denominação do IBGE). Vale observar que a maioria dos rios que
nascem na Chapada dos Parecis, em Vilhena, possuem dois nomes. Um nome comum
conhecido por seus habitantes e o nome oficial que consta nos mapas do IBGE
-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Loteamento
Em
seguida, a equipe se dirigiu para antigo Zoológico Municipal Marciano Zonoecê, hoje
desativado, e à casa de Rondon, local do antigo posto telegráfico. Prosseguindo
na inspeção, a equipe se deslocou até o local onde foi implantado o Loteamento
Solar de Vilhena no final da Av. Brigadeiro Eduardo Gomes, próximo ao Parque de
Exposições. No local foi verificado que as obras de esgoto do loteamento estão
sendo realizadas na área das nascentes do Rio Barão de Melgaço (Rio
Comemoração). Embora a propaganda do loteamento informe que o esgoto será
tratado antes de ser lançado no sistema de esgotos, não foi observada nenhuma
obra de construção de unidade destinada ao tratamento de efluentes domésticos.
A rede de drenagem do loteamento termina adentrando na mata onde serão
despejados os esgotos - o que pode vir a comprometer a qualidade da água das
nascentes do rio além do processo de erosão do solo.
Parque Municipal
Um
outro ponto visitado na mesma data pela equipe de professores e técnicos foi o
local onde está sendo implantado pela Prefeitura Municipal de Vilhena, através
da Secretaria de Turismo Indústria e Comércio, o Parque Público Municipal,
próximo à BR-364, às margens do Rio Barão de Melgaço. No local, as obras estão
em andamento. O serviço de terraplanagem
já foi realizado e a colocação de grama além da trilha destinada para caminhadas.
Foi verificado pela equipe que a alteração do espaço ocorrida na margem direita
do rio para implantação do parque provocou um acelerado processo de erosão com
o desmoronamento de ribanceiras de uma das margens do rio. No entorno das obras
do Parque Público Municipal é possível perceber um processo de degradação ambiental
em andamento.
Canal de drenagem. Imagem/Dimas Cunha
Lagoa de decantação. Imagem/Dimas Cunha
Local próximo às nascentes do Rio Barão de Melgaço onde são despejados, pelo sistema de drenagem, os efluentes e as águas pluviais da drenagem urbana. Imagem/Dimas Cunha.
Imagem/Dimas Cunha
Imagem/Dimas Cunha
Obras de drenagem do Loteamento Solar de Vilhena.Imagem/Dimas Cunha
quinta-feira, 3 de abril de 2014
MAIOR EXTINÇÃO EM MASSA
Meio ambiente
Micróbios causaram maior extinção em massa da Terra, diz estudo
Cientistas do MIT levantam uma nova hipótese para a causa da terceira grande extinção, que ocorreu há cerca de 251 milhões de anos
Methanosarcina: micro-organismo produtor de metano pode ser a causa da grande extinção (Getty Images)
Desde seu surgimento, a Terra passou por cinco períodos de extinção em massa das espécies, sendo o mais famoso o último, que causou o desaparecimento dos dinossauros não voadores, há 65 milhões de anos. A mais catastrófica de todas elas, porém, foi a terceira, que ocorreu há cerca de 252 milhões de anos e varreu quase 90% das espécies do planeta.As causas desse fenômeno até hoje não foram esclarecidas. Eventos como vulcanismo, aumento da temperatura e falta de oxigênio têm sido apontados pelos pesquisadores, mas um novo estudo concluiu que os reais responsáveis são seres vivos.Realizado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), o trabalho indica que um tipo de micróbio produtor de metano, denominado Methanosarcina, foi o causador da extinção em massa. Esse organismo se desenvolveu de forma repentina e se alastrou pelos oceanos, despejando quantidades elevadas de metano na atmosfera, o que modificou o clima e a química das águas — e levou à extinção das espécies.
Evidências mostram um aumento intenso na quantidade de dióxido de
carbono nos oceanos na época da extinção. Uma análise genética sugere
que o Methanosarcina passou por uma mudança no mesmo período,
que o transformou em um grande produtor de metano, a partir da
acumulação de dióxido de carbono na água. Sedimentos da época revelam
ainda um aumento no depósito de níquel — metal necessário para o
crescimento do micro-organismo — que ocorreu simultaneamente.
Crescimento exponencial – Alguns pesquisadores
sugeriram que o aumento na quantidade de gases contendo carbono, como
dióxido de carbono ou metano, na época da extinção pode ter sido causado
por atividade vulcânica, mas os autores do novo estudo calculam que as
erupções não seriam suficientes para produzir todo o carbono observado
nos sedimentos. Além disso, os cientistas afirmam que as mudanças na
quantidade de carbono ao longo do tempo não se encaixam em um modelo
vulcânico.
"Uma injeção inicial rápida de dióxido de carbono liberada por um
vulcão seria seguida por uma diminuição gradual. Em vez disso, nós
observamos o oposto: um aumento rápido e contínuo", explica Gregory
Fournier, pesquisador do MIT e um dos autores do estudo. "Isso indica
uma expansão de micróbios." Segundo o autor, o crescimento de populações
de micro-organismos está entre os poucos fatores capazes de aumentar a
produção de carbono de forma exponencial — ou até mais rápida.
A análise genética mostrou ainda que o Methanosarcina adquiriu
sua habilidade de produzir metano através de uma transferência de genes
com outro micróbio. Nas condições adequadas, essa aquisição genética
permitiu que o micro-organismo passasse por um crescimento intenso,
consumindo rapidamente a reserva orgânica de carbono nos sedimentos
oceânicos.
Segundo os autores, a produção exagerada de metano resultante de
todos esses fatores provocou efeitos similares àqueles previstos em
modelos de mudanças climáticas: um grande aumento de temperatura,
combinado com a acidificação dos oceanos, que afetou também as espécies
marinhas.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
JESUS, A LUZ DO MUNDO
Aos nossos amigos e leitores deste blog nossos sinceros agradecimentos por todo esse ano que estivemos juntos compartilhando notícias, conhecimentos e opiniões.Nesse novo ano que se aproxima esperamos contar com a participação de todos para o sucesso e engrandecimento do nosso trabalho.Muito obrigado. Feliz Natal e um Ano Novo de Paz e Alegria que só Jesus pode dar. Um cordial Shalom.
Dimas Cunha
sábado, 14 de dezembro de 2013
O IBGE E A PROPAGANDA ELEITORAL
IBGE produz peça de propaganda eleitoral
Escrito por José Maria e Silva
| 13 Dezembro 2013 www.midiasemmascara.org
Antecipando-se à campanha eleitoral
de 2014, instituto transforma o estudo dos indicadores sociais numa
defesa escancarada da Era Lula e do Programa Bolsa-Família.
O
corte justamente a partir de 2002 tem claramente um viés político, como
se a melhoria de indicadores sociais – algo de evolução lenta e
precisão difícil – fosse regida pelo calendário das urnas.
A
edição brasileira do jornal “El País”, que começou mais governista do
que diário oficial, estreou com uma vergonhosa entrevista da presidente
Dilma Rousseff, no dia 26 de novembro, da qual só se salva a foto de
autoria de Uly Martín, por sinal, de arquivo. Com um olhar desafiador, a
presidente forma um círculo com o dedo médio sobre o polegar e, como se
fora um Justo Veríssimo de saias, manda o povo brasileiro para aquele
lugar impublicável. Mas essa foto “punk” nada tem a ver com a entrevista
“pink”, em que o diretor do “El País”, Javier Moreno, de forma
rastejante, faz o papel de assessor de imprensa e, como se fosse mero
lacaio do Planalto, não só chama Dilma Rousseff de “presidenta” e tece
loas aos governos petistas, como se esforça por tornar compreensível a
própria Dilma, ao traduzi-la para o vernáculo.
É
claro que, mesmo para o “El País”, um dos mais conceituados jornais do
mundo, não é fácil bajular a presidente Dilma Rousseff a ponto de
torná-la inteligível. Depois dos primeiros dois terços de entrevista, o
editor vai perdendo o fôlego de copidesque e a verdadeira Dilma se
revela. Ao tratar da espionagem norte-americana, Dilma se confunde com a
nação e se declara soberana: “Uma relação como a do Brasil e dos
Estados Unidos, que os dois países querem que seja estratégica, não pode
ter como característica uma violação nem dos direitos civis da minha
população nem da minha soberania”. Parece pouca coisa, mas é
inadmissível a presidente acreditar que a soberania prevista na
Constituição é imanente à sua pessoa e não à nação. Um adulto
alfabetizado que não sabe disso não pode nem mesmo ser síndico de
prédio, pois corre o risco de burlar a soberania das assembleias de
condôminos.
Bastante à vontade diante do vexatório papel do “El País”, Dilma Rousseff, depois de vender as maravilhas de seu governo ao jornal espanhol, fez uma revelação na entrevista: “Esta semana resolveram reavaliar o PIB. E o PIB do ano passado, que era 0,9%, passou para 1,5%. Nós sabíamos que não era 0,9%, que estava subestimado o PIB. Isso acontece com outros países também. Os Estados Unidos sempre revisam seu PIB. Agora nós neste ano vamos crescer bem mais do que 1,5% – resta saber quanto acima”. Tão logo a declaração de Dilma foi publicada, a imprensa correu atrás da confirmação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão responsável pela apuração e consolidação do PIB. Na ocasião, o IBGE não quis adiantar os números da revisão e limitou-se a informar que no dia 3 de dezembro iria divulgar, além dos resultados do terceiro trimestre, eventuais revisões no PIB, que, em 2012, teve uma redução de 0,3%, o pior resultado desde 2009.
Como Brasília ainda não é Buenos Aires, muito menos Caracas, os índices declarados por Dilma Rousseff ao “El País” não se confirmaram, numa prova de que os órgãos do governo ainda têm alguma autonomia técnica. Na terça-feira, 3, o IBGE anunciou que houve, de fato, uma revisão do PIB, mas seu crescimento não foi de 1,5%, como havia dito a presidente, e, sim, de 1%, apenas um décimo porcentual a mais do que o índice de 0,9% anteriormente constatado. Já a expansão do PIB no segundo trimestre foi mais expressiva após a revisão, passando de 1,5% para 1,8%. Além disso, o IBGE anunciou que está fazendo alterações na metodologia de cálculo do PIB e que as revisões definitivas devem ser divulgadas no final de 2014 (ano eleitoral) ou no início de 2015 (ano da inevitável quebradeira pós-Copa).
Bastante à vontade diante do vexatório papel do “El País”, Dilma Rousseff, depois de vender as maravilhas de seu governo ao jornal espanhol, fez uma revelação na entrevista: “Esta semana resolveram reavaliar o PIB. E o PIB do ano passado, que era 0,9%, passou para 1,5%. Nós sabíamos que não era 0,9%, que estava subestimado o PIB. Isso acontece com outros países também. Os Estados Unidos sempre revisam seu PIB. Agora nós neste ano vamos crescer bem mais do que 1,5% – resta saber quanto acima”. Tão logo a declaração de Dilma foi publicada, a imprensa correu atrás da confirmação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão responsável pela apuração e consolidação do PIB. Na ocasião, o IBGE não quis adiantar os números da revisão e limitou-se a informar que no dia 3 de dezembro iria divulgar, além dos resultados do terceiro trimestre, eventuais revisões no PIB, que, em 2012, teve uma redução de 0,3%, o pior resultado desde 2009.
Como Brasília ainda não é Buenos Aires, muito menos Caracas, os índices declarados por Dilma Rousseff ao “El País” não se confirmaram, numa prova de que os órgãos do governo ainda têm alguma autonomia técnica. Na terça-feira, 3, o IBGE anunciou que houve, de fato, uma revisão do PIB, mas seu crescimento não foi de 1,5%, como havia dito a presidente, e, sim, de 1%, apenas um décimo porcentual a mais do que o índice de 0,9% anteriormente constatado. Já a expansão do PIB no segundo trimestre foi mais expressiva após a revisão, passando de 1,5% para 1,8%. Além disso, o IBGE anunciou que está fazendo alterações na metodologia de cálculo do PIB e que as revisões definitivas devem ser divulgadas no final de 2014 (ano eleitoral) ou no início de 2015 (ano da inevitável quebradeira pós-Copa).
Manipulando índices econômicos
Um dia antes desse anúncio do IBGE, o ministro da Fazenda, Guido Mantega (provavelmente um dos piores titulares que já passaram pela pasta na história do Brasil), fez a seguinte declaração: “O crescimento do PIB no terceiro trimestre [deste ano] sobre o terceiro trimestre de 2012 está projetado em 2,5 por cento”. Essa afirmação do ministro reforça a tentativa de ingerência política no cálculo do PIB já manifestada por sua chefe ao “El País”. A definição do PIB pelo IBGE é coisa séria. O cálculo do PIB não é apenas uma descrição matemática dos fatos econômicos – dele decorrem consequências políticas e jurídicas. O repasse de verbas para Estados e municípios, por exemplo, depende de critérios que envolvem renda per capita, que, por sua vez, envolve o PIB.
Portanto, o desejável é que nem a presidente da República nem o seu ministro da Fazenda metam o bedelho no cálculo do PIB. Quando Guido Mantega antecipa um novo crescimento do PIB no trimestre, antes mesmo que ele tenha sido oficialmente anunciado, fica a impressão de que o ministro da Fazenda determinou ao IBGE que lhe produza um PIB de encomenda e que suas especulações antecipadas a respeito do assunto são uma tentativa de disfarçar a ingerência política nos índices econômicos. O mercado não gostou das declarações da presidente Dilma Rousseff sobre a revisão e crescimento do PIB. E com razão: nos países bolivarianos da América Latina, especialmente na Argentina de Cristina Kirchner e na Venezuela de Chávez & Maduro, os índices econômicos, inclusive a inflação, são claramente manipulados para satisfazer objetivos políticos.
O Brasil provavelmente não chegará a tanto, mas seus órgãos técnicos não estão totalmente imunes a desvirtuamentos políticos. Prova disso é a “Síntese dos Indicadores Sociais 2013”, divulgada na semana passada pelo IBGE. Essa série de estudos teve início ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, por recomendação da ONU. Na sessão de 29 de fevereiro de 1997, a Comissão de Estatística da ONU aprovou a adoção, por parte dos países-membros, de um conjunto de indicadores sociais para compor uma base de dados nacionais mínima, capaz de possibilitar o acompanhamento técnico de programas sociais. Surgia, assim, a Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE, publicada pela primeira vez em 1999, ainda no governo tucano, e elaborada a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que abrange todo o território nacional.
O IBGE cruza os dados dessa fonte básica de informação com dados de suas outras pesquisas sobre emprego, orçamentos familiares e situação dos municípios, por exemplo. E também recorre a dados externos, sobretudo do MEC e do Ministério da Saúde. O resultado é praticamente um livro, majoritariamente composto por gráficos e tabelas, mas também recheado de análises e comentários técnicos. A Síntese dos Indicadores Sociais de 2013 do IBGE tem 266 páginas e traz indicadores sociais sobre aspectos demográficos da população brasileira, como taxas de mortalidade e fecundidade, arranjos familiares, domicílios, educação, saúde, trabalho e rendimento. Também trata de grupos populacionais específicos, como crianças, jovens, idosos e mulheres, e aborda desigualdades raciais e de gênero, já mencionadas na recomendação da ONU sobre os indicadores sociais mínimos.
Um dia antes desse anúncio do IBGE, o ministro da Fazenda, Guido Mantega (provavelmente um dos piores titulares que já passaram pela pasta na história do Brasil), fez a seguinte declaração: “O crescimento do PIB no terceiro trimestre [deste ano] sobre o terceiro trimestre de 2012 está projetado em 2,5 por cento”. Essa afirmação do ministro reforça a tentativa de ingerência política no cálculo do PIB já manifestada por sua chefe ao “El País”. A definição do PIB pelo IBGE é coisa séria. O cálculo do PIB não é apenas uma descrição matemática dos fatos econômicos – dele decorrem consequências políticas e jurídicas. O repasse de verbas para Estados e municípios, por exemplo, depende de critérios que envolvem renda per capita, que, por sua vez, envolve o PIB.
Portanto, o desejável é que nem a presidente da República nem o seu ministro da Fazenda metam o bedelho no cálculo do PIB. Quando Guido Mantega antecipa um novo crescimento do PIB no trimestre, antes mesmo que ele tenha sido oficialmente anunciado, fica a impressão de que o ministro da Fazenda determinou ao IBGE que lhe produza um PIB de encomenda e que suas especulações antecipadas a respeito do assunto são uma tentativa de disfarçar a ingerência política nos índices econômicos. O mercado não gostou das declarações da presidente Dilma Rousseff sobre a revisão e crescimento do PIB. E com razão: nos países bolivarianos da América Latina, especialmente na Argentina de Cristina Kirchner e na Venezuela de Chávez & Maduro, os índices econômicos, inclusive a inflação, são claramente manipulados para satisfazer objetivos políticos.
O Brasil provavelmente não chegará a tanto, mas seus órgãos técnicos não estão totalmente imunes a desvirtuamentos políticos. Prova disso é a “Síntese dos Indicadores Sociais 2013”, divulgada na semana passada pelo IBGE. Essa série de estudos teve início ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, por recomendação da ONU. Na sessão de 29 de fevereiro de 1997, a Comissão de Estatística da ONU aprovou a adoção, por parte dos países-membros, de um conjunto de indicadores sociais para compor uma base de dados nacionais mínima, capaz de possibilitar o acompanhamento técnico de programas sociais. Surgia, assim, a Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE, publicada pela primeira vez em 1999, ainda no governo tucano, e elaborada a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que abrange todo o território nacional.
O IBGE cruza os dados dessa fonte básica de informação com dados de suas outras pesquisas sobre emprego, orçamentos familiares e situação dos municípios, por exemplo. E também recorre a dados externos, sobretudo do MEC e do Ministério da Saúde. O resultado é praticamente um livro, majoritariamente composto por gráficos e tabelas, mas também recheado de análises e comentários técnicos. A Síntese dos Indicadores Sociais de 2013 do IBGE tem 266 páginas e traz indicadores sociais sobre aspectos demográficos da população brasileira, como taxas de mortalidade e fecundidade, arranjos familiares, domicílios, educação, saúde, trabalho e rendimento. Também trata de grupos populacionais específicos, como crianças, jovens, idosos e mulheres, e aborda desigualdades raciais e de gênero, já mencionadas na recomendação da ONU sobre os indicadores sociais mínimos.
Calendário das urnas no IBGE
A despeito desse esmero técnico, a “Síntese dos Indicadores Sociais 2013” não consegue esconder seu viés político. Na introdução do documento, o IBGE afirma: “Entre 2002 e 2012, a sociedade brasileira passou por mudanças que produziram impactos significativos sobre as condições de vida da população. Por um lado, o dinamismo do mercado de trabalho se traduziu no crescimento da população ocupada e na formalização das relações de trabalho, onde um contingente maior de trabalhadores passou a contar com uma série de direitos e benefícios vinculados à posse da carteira de trabalho. Da mesma forma, o crescimento real do rendimento do trabalho ampliou não apenas o acesso de mais trabalhadores ao mercado de consumo, como também reduziu os diferenciais de rendimento de trabalho”. O IBGE destaca, ainda, “o papel desempenhado pelo salário mínimo, cuja valorização neste período permitiu a ampliação do poder de compra dos trabalhadores”.
O que primeiro chama a atenção nesse texto é o período a que se refere – “entre 2002 e 2012” –, que remete justamente aos dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva e à primeira metade do governo Dilma, ou seja, aos governos do PT. Alguém pode imaginar que a escolha do período não passa de uma coincidência, por se tratar de um decênio. Mas a “Síntese dos Indicadores Sociais” não é decenal como o Censo, portanto, seria mais natural estabelecer comparações com suas edições anteriores, como a de 2012, a de 2010, a de 2009, a de 2007, etc. Se fosse para falar de decênio, então que se usassem os referenciais exatos: década de 1990, década de 2000 etc. O corte justamente a partir de 2002 tem claramente um viés político, como se a melhoria de indicadores sociais – algo de evolução lenta e precisão difícil – fosse regida pelo calendário das urnas.
Compulsando virtualmente edições anteriores da “Síntese dos Indicadores Sociais”, constata-se que esse tipo de reflexão, em moldes claramente políticos, tem tudo para ser inédito. As primeiras “Sínteses”, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, eram sóbrios conjuntos de tabelas acompanhados de notas técnicas. Posteriormente, no governo Lula, elas foram transformadas em livros, com análises mais rebuscadas. Mas as introduções das “Sínteses” dos anos anteriores são estritamente técnicas: elas explicam a importância dos bancos de dados estatísticos para os Estados nacionais, baseando-se na recomendação da ONU, e discutem aspectos históricos ou metodológicos desse gênero de estudos. Já a introdução da “Síntese dos Indicadores Sociais 2013” é uma anomalia. Creio que, como se trata da última edição desse estudo antes das eleições de 2014, o IBGE foi obrigado a antecipar o horário eleitoral gratuito, transformando a “Síntese 2013” numa peça de propaganda política.
Um crime de lesa-ciência
Quando afirma que, “entre 2002 e 2012, a sociedade brasileira passou por mudanças que produziram impactos significativos sobre as condições de vida da população”, o IBGE simplesmente está cometendo crime de lesa-ciência. O impacto mais significativo sobre as condições de vida da população brasileira – especialmente sobre as condições de vida da população mais pobre – continua sendo o fim da inflação. Que não ocorreu entre 2002 e 2012 e, sim, em 1994, com a adoção do Plano Real, liderado pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco. Nada corroía mais o poder aquisitivo do trabalhador do que a inflação desenfreada. A inflação reduzia a vida das famílias pobres a uma luta diária pela sobrevivência. Não era possível pensar nada a longo prazo. Tudo se resumia a disputar preços com remarcadores nos supermercados.
A despeito desse esmero técnico, a “Síntese dos Indicadores Sociais 2013” não consegue esconder seu viés político. Na introdução do documento, o IBGE afirma: “Entre 2002 e 2012, a sociedade brasileira passou por mudanças que produziram impactos significativos sobre as condições de vida da população. Por um lado, o dinamismo do mercado de trabalho se traduziu no crescimento da população ocupada e na formalização das relações de trabalho, onde um contingente maior de trabalhadores passou a contar com uma série de direitos e benefícios vinculados à posse da carteira de trabalho. Da mesma forma, o crescimento real do rendimento do trabalho ampliou não apenas o acesso de mais trabalhadores ao mercado de consumo, como também reduziu os diferenciais de rendimento de trabalho”. O IBGE destaca, ainda, “o papel desempenhado pelo salário mínimo, cuja valorização neste período permitiu a ampliação do poder de compra dos trabalhadores”.
O que primeiro chama a atenção nesse texto é o período a que se refere – “entre 2002 e 2012” –, que remete justamente aos dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva e à primeira metade do governo Dilma, ou seja, aos governos do PT. Alguém pode imaginar que a escolha do período não passa de uma coincidência, por se tratar de um decênio. Mas a “Síntese dos Indicadores Sociais” não é decenal como o Censo, portanto, seria mais natural estabelecer comparações com suas edições anteriores, como a de 2012, a de 2010, a de 2009, a de 2007, etc. Se fosse para falar de decênio, então que se usassem os referenciais exatos: década de 1990, década de 2000 etc. O corte justamente a partir de 2002 tem claramente um viés político, como se a melhoria de indicadores sociais – algo de evolução lenta e precisão difícil – fosse regida pelo calendário das urnas.
Compulsando virtualmente edições anteriores da “Síntese dos Indicadores Sociais”, constata-se que esse tipo de reflexão, em moldes claramente políticos, tem tudo para ser inédito. As primeiras “Sínteses”, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, eram sóbrios conjuntos de tabelas acompanhados de notas técnicas. Posteriormente, no governo Lula, elas foram transformadas em livros, com análises mais rebuscadas. Mas as introduções das “Sínteses” dos anos anteriores são estritamente técnicas: elas explicam a importância dos bancos de dados estatísticos para os Estados nacionais, baseando-se na recomendação da ONU, e discutem aspectos históricos ou metodológicos desse gênero de estudos. Já a introdução da “Síntese dos Indicadores Sociais 2013” é uma anomalia. Creio que, como se trata da última edição desse estudo antes das eleições de 2014, o IBGE foi obrigado a antecipar o horário eleitoral gratuito, transformando a “Síntese 2013” numa peça de propaganda política.
Um crime de lesa-ciência
Quando afirma que, “entre 2002 e 2012, a sociedade brasileira passou por mudanças que produziram impactos significativos sobre as condições de vida da população”, o IBGE simplesmente está cometendo crime de lesa-ciência. O impacto mais significativo sobre as condições de vida da população brasileira – especialmente sobre as condições de vida da população mais pobre – continua sendo o fim da inflação. Que não ocorreu entre 2002 e 2012 e, sim, em 1994, com a adoção do Plano Real, liderado pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco. Nada corroía mais o poder aquisitivo do trabalhador do que a inflação desenfreada. A inflação reduzia a vida das famílias pobres a uma luta diária pela sobrevivência. Não era possível pensar nada a longo prazo. Tudo se resumia a disputar preços com remarcadores nos supermercados.
O
IBGE vai mais longe e não se peja de fazer propaganda explícita do
Programa Bolsa-Família, criado pelo então presidente Lula, que
confessadamente se inspirou no Programa Renda Cidadã do governador de
Goiás, Marconi Perillo, do PSDB. Eis o que afirma o IBGE, como se a
“Síntese 2013” fosse para ser lida no horário eleitoral gratuito: “A
criação, ampliação e consolidação de um conjunto de políticas de
transferência de renda voltadas para segmentos da população
historicamente excluídos de medidas protetivas por parte do Estado
contribuiu também para a redução nos indicadores de desigualdade de
rendimento, acesso a programas e serviços de saúde na área de atenção
básica e frequência escolar. A ampliação do ensino obrigatório para
crianças de 4 a 17 anos de idade, prevista na legislação vigente, renova
os desafios de superação dos gargalos reconhecidos, como o acesso à
educação infantil e ao ensino médio”.
Na expressão “historicamente excluídos”, percebe-se Lula falando pela boca do IBGE: “Nunca antes na história deste País...” Pelo menos desde Getúlio Vargas, o Estado brasileiro demonstra grande preocupação com os excluídos. Da carteira de trabalho ao seguro-desemprego, passando por instituições como Cohab (habitação) e Cobal (alimentos), o Estado sempre se preocupou com os pobres. Se essa preocupação dá resultados ou não é outra história, mas que ela existe, não há dúvida. A maioria dos políticos costuma dizer que trabalha para os pobres, pois os ricos não precisam do Estado. E é verdade. Mesmo quando um político pratica corrupção, ele o faz no bojo de obras ou políticas públicas voltadas para os mais pobres. Por incrível que pareça, o único político que fez questão de alardear ter trabalhado para os ricos foi o próprio Lula, ao admitir que os bancos nunca lucraram tanto como em seu governo e ao transformar o BNDES no provedor da Bolsa-Empresário.
Na expressão “historicamente excluídos”, percebe-se Lula falando pela boca do IBGE: “Nunca antes na história deste País...” Pelo menos desde Getúlio Vargas, o Estado brasileiro demonstra grande preocupação com os excluídos. Da carteira de trabalho ao seguro-desemprego, passando por instituições como Cohab (habitação) e Cobal (alimentos), o Estado sempre se preocupou com os pobres. Se essa preocupação dá resultados ou não é outra história, mas que ela existe, não há dúvida. A maioria dos políticos costuma dizer que trabalha para os pobres, pois os ricos não precisam do Estado. E é verdade. Mesmo quando um político pratica corrupção, ele o faz no bojo de obras ou políticas públicas voltadas para os mais pobres. Por incrível que pareça, o único político que fez questão de alardear ter trabalhado para os ricos foi o próprio Lula, ao admitir que os bancos nunca lucraram tanto como em seu governo e ao transformar o BNDES no provedor da Bolsa-Empresário.
Progressiva estatização da mendicância
De acordo com o último relatório de gestão consolidado do Programa Bolsa Família, publicado em março de 2012 e que traz os dados relativos a 2011, em oito anos de existência, “o Bolsa Família expandiu-se, tornando-se um dos programas sociais de maior cobertura na rede de proteção social brasileira”. O ufanismo da frase anterior é justificado pela frase seguinte, também extraída literalmente do relatório oficial do programa: “Saltou de 3,6 milhões de famílias beneficiárias, em 2003, para 13,3 milhões em dezembro de 2011”. Esse número é superior à meta de 12,9 milhões de famílias que havia sido fixada no Plano Plurianual 2008-2011. E o número de famílias beneficiadas pelo Bolsa-Família continua crescendo: no último mês de novembro, segundo dados oficiais do Ministério do Desenvol-vimento Social, foram 13.830.095 famílias beneficiadas, que receberam um total de R$ 2,109 bilhões em benefícios. Somente nos 23 últimos meses, 468.592 famílias foram incorporadas ao programa, ou seja, quase meio milhão de famílias.
Se considerarmos uma média de quatro pessoas por família atendida, chega-se à conclusão de que o Programa Bolsa-Família beneficia, no mínimo, 55 milhões de brasileiros, mais de um quarto da população do País. Notem que esse número é expressivamente superior os 40 milhões de brasileiros que o governo Lula, com a varinha de condão estatística da Fundação Getúlio Vargas, diz ter transformado na “nova classe média” – a maior mentira oficial de toda a história do Brasil, apesar de referenda por uma das maiores universidades do País. Diante desses escandalosos dados oficiais, não há razão para o IBGE se ufanar das políticas de transferência de renda do governo federal, atribuindo a elas “a redução nos indicadores de desigualdade de rendimento, o acesso a programas e serviços de saúde na área de atenção básica e a frequência escolar”. Ao contrário do que diz o IBGE, isso nada tem a ver com redução sustentável da desigualdade – é apenas a progressiva estatização da mendicância.
Na equipe que coordenou a “Síntese dos Indicadores Sociais 2013” do IBGE, não deve haver nenhum economista liberal. Devem ser todos keynesianos ou marxistas, pois a fé no Estado, como salvador da humanidade, está presente a cada linha do documento. Exemplo disso é a análise que o IBGE faz da geração que ele próprio classificou de “nem-nem” – jovens de 15 a 29 anos que nem trabalham nem estudam e somam 19,6% nessa faixa etária. O próprio IBGE destacou esse aspecto da pesquisa, alardeando-o na imprensa. E um dado que provocou verdadeira comoção nos jornais, norteando as manchetes do noticiário sobre a pesquisa, diz respeito às mulheres: “A proporção de mulheres entre os que não estudavam e não trabalhavam foi crescente com a idade: 59,6% entre aqueles com 15 a 17 anos de idade, atingindo 76,9% entre as pessoas de 25 a 29 anos de idade”.
Os jornais quase derramaram lágrimas, acreditando, como o IBGE, que estavam diante da discriminação de gênero. Ocorre que tinham pelo menos um filho: 30% das mulheres de 15 a 17 anos de idade; 51,6% daquelas de 18 a 24 anos e 74,1% daquelas de 25 a 29 anos. Isso explica o alto porcentual de mulheres que não trabalham nem estudam nessa fase da vida. Em sua maioria, elas fazem opção preferencial pelo filho por uma questão de bom senso, recorrendo ao conceito de vantagens comparativas ainda que intuitivamente. De que adianta trabalhar fora e gastar quase todo o salário com uma babá para cuidar do filho? Ou negligenciar o rebento para frequentar uma escola de alta periculosidade, que mal consegue formar analfabetos funcionais? A despeito do feminismo, muitas mulheres querem ser mães. No México, 77% das jovens mexicanas nem estudam nem trabalham fora, preferindo criar família.
Mais grave do que não trabalhar nem estudar para cuidar do filho é não trabalhar e fingir que estuda apenas para eternizar uma esmola estatal. Mas não é o que pensa o IBGE, que replica em seus estudos o pensamento hegemônico nas universidades. A “Síntese dos Indicadores Sociais 2013” foi produzida à luz da Emenda Consti-tucional nº 65, que transformou em crianças jovens maiores de 18 anos e resultou no Estatuto da Juventude, uma lei que considera totalmente dependentes da família, do Estado e da sociedade marmanjos de até 29 anos de idade. Daí a explícita preocupação da pesquisa do IBGE com os adultos que se enquadram nessa faixa etária. Como o artigo 227 da Constituição, transformado pela Emenda 65, igualou os jovens adultos às crianças de colo, a geração “nem-nem” criada pelo IBGE deixa de ser uma questão de vadiagem para se tornar um problema do Estado e da sociedade – transformados pela Constituição em babás de marmanjos.
De acordo com o último relatório de gestão consolidado do Programa Bolsa Família, publicado em março de 2012 e que traz os dados relativos a 2011, em oito anos de existência, “o Bolsa Família expandiu-se, tornando-se um dos programas sociais de maior cobertura na rede de proteção social brasileira”. O ufanismo da frase anterior é justificado pela frase seguinte, também extraída literalmente do relatório oficial do programa: “Saltou de 3,6 milhões de famílias beneficiárias, em 2003, para 13,3 milhões em dezembro de 2011”. Esse número é superior à meta de 12,9 milhões de famílias que havia sido fixada no Plano Plurianual 2008-2011. E o número de famílias beneficiadas pelo Bolsa-Família continua crescendo: no último mês de novembro, segundo dados oficiais do Ministério do Desenvol-vimento Social, foram 13.830.095 famílias beneficiadas, que receberam um total de R$ 2,109 bilhões em benefícios. Somente nos 23 últimos meses, 468.592 famílias foram incorporadas ao programa, ou seja, quase meio milhão de famílias.
Se considerarmos uma média de quatro pessoas por família atendida, chega-se à conclusão de que o Programa Bolsa-Família beneficia, no mínimo, 55 milhões de brasileiros, mais de um quarto da população do País. Notem que esse número é expressivamente superior os 40 milhões de brasileiros que o governo Lula, com a varinha de condão estatística da Fundação Getúlio Vargas, diz ter transformado na “nova classe média” – a maior mentira oficial de toda a história do Brasil, apesar de referenda por uma das maiores universidades do País. Diante desses escandalosos dados oficiais, não há razão para o IBGE se ufanar das políticas de transferência de renda do governo federal, atribuindo a elas “a redução nos indicadores de desigualdade de rendimento, o acesso a programas e serviços de saúde na área de atenção básica e a frequência escolar”. Ao contrário do que diz o IBGE, isso nada tem a ver com redução sustentável da desigualdade – é apenas a progressiva estatização da mendicância.
Na equipe que coordenou a “Síntese dos Indicadores Sociais 2013” do IBGE, não deve haver nenhum economista liberal. Devem ser todos keynesianos ou marxistas, pois a fé no Estado, como salvador da humanidade, está presente a cada linha do documento. Exemplo disso é a análise que o IBGE faz da geração que ele próprio classificou de “nem-nem” – jovens de 15 a 29 anos que nem trabalham nem estudam e somam 19,6% nessa faixa etária. O próprio IBGE destacou esse aspecto da pesquisa, alardeando-o na imprensa. E um dado que provocou verdadeira comoção nos jornais, norteando as manchetes do noticiário sobre a pesquisa, diz respeito às mulheres: “A proporção de mulheres entre os que não estudavam e não trabalhavam foi crescente com a idade: 59,6% entre aqueles com 15 a 17 anos de idade, atingindo 76,9% entre as pessoas de 25 a 29 anos de idade”.
Os jornais quase derramaram lágrimas, acreditando, como o IBGE, que estavam diante da discriminação de gênero. Ocorre que tinham pelo menos um filho: 30% das mulheres de 15 a 17 anos de idade; 51,6% daquelas de 18 a 24 anos e 74,1% daquelas de 25 a 29 anos. Isso explica o alto porcentual de mulheres que não trabalham nem estudam nessa fase da vida. Em sua maioria, elas fazem opção preferencial pelo filho por uma questão de bom senso, recorrendo ao conceito de vantagens comparativas ainda que intuitivamente. De que adianta trabalhar fora e gastar quase todo o salário com uma babá para cuidar do filho? Ou negligenciar o rebento para frequentar uma escola de alta periculosidade, que mal consegue formar analfabetos funcionais? A despeito do feminismo, muitas mulheres querem ser mães. No México, 77% das jovens mexicanas nem estudam nem trabalham fora, preferindo criar família.
Mais grave do que não trabalhar nem estudar para cuidar do filho é não trabalhar e fingir que estuda apenas para eternizar uma esmola estatal. Mas não é o que pensa o IBGE, que replica em seus estudos o pensamento hegemônico nas universidades. A “Síntese dos Indicadores Sociais 2013” foi produzida à luz da Emenda Consti-tucional nº 65, que transformou em crianças jovens maiores de 18 anos e resultou no Estatuto da Juventude, uma lei que considera totalmente dependentes da família, do Estado e da sociedade marmanjos de até 29 anos de idade. Daí a explícita preocupação da pesquisa do IBGE com os adultos que se enquadram nessa faixa etária. Como o artigo 227 da Constituição, transformado pela Emenda 65, igualou os jovens adultos às crianças de colo, a geração “nem-nem” criada pelo IBGE deixa de ser uma questão de vadiagem para se tornar um problema do Estado e da sociedade – transformados pela Constituição em babás de marmanjos.
Publicado no Jornal Opção.
José Maria e Silva é sociólogo e jornalista.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
O ROMPIMENTO DA BARRAGEM APERTADINHO EM 2008
Publicado no Jornal Folha de São Paulo
10/01/2008
- 21h58
Rompimento de barragem
causa danos ambientais em Rondônia
da Agência
Folha
da Agência Folha, em Campo Grande
da Agência Folha, em Campo Grande
O rompimento da barragem de uma usina hidrelétrica
em construção, em Vilhena (698 km de Porto Velho), na tarde de ontem (9),
causou danos ambientais e a retirada preventiva de ao menos 200 famílias de
suas casas.
Com volume estimado em 3,1 bilhões de litros de
água e cerca de 40 metros de altura, o reservatório da PCH (Pequena Central
Hidrelétrica) de Apertadinho, do grupo privado Cebel (Centrais Elétricas Belém
S/A), se rompeu por volta das 14h desta quinta-feira. O acidente colocou em
risco moradores das cidades de Pimenta Bueno e Cacoal, cortadas pelo rio
Comemoração (ou Melgaço), onde fica a usina.
Havia possibilidade de uma onda de cheia com
velocidade de até 10 km/h atingir a região. O vazamento, contudo, se dispersou
no caminho e foi contido pela barragem de outra usina, a Rondon 2, a 73 km do
ponto do rompimento, por volta da meia-noite de ontem. As características do
terreno --de planície e pouco acidentado-- também contribuíram para amortecer a
força das águas.
"O segundo empreendimento segurou a tromba d'
água. Os maiores danos foram nas matas ciliares [que margeiam cursos de água]
no trajeto. Nenhuma cidade foi invadida e não temos notícia de desabrigados até
o momento", disse, na tarde de hoje, o gerente ambiental do governo de
Rondônia, Marcus Lemgruber.
Os moradores de Pimenta Bueno --primeira cidade na
rota da cheia-- que haviam sido desalojados por precaução começaram hoje mesmo
a voltar para casa. Havia previsão de que o nível do rio Comemoração subisse 50
centímetros na cidade, atingindo 4,8 metros --patamar ainda inferior à máxima
histórica, de nove metros.
Segundo o Corpo de Bombeiros do Estado, a área
atingida pelas águas é desabitada. Os danos apurados até o momento são
ambientais e na estrutura da usina de Apertadinho.
Em nota, a Defesa Civil de Rondônia e o Sipam
(Sistema de Proteção da Amazônia) informaram que a situação estava "sob
controle" e descartaram o "cenário mais pessimista que chegou a ser
projetado".
Causas
As causas do rompimento ainda são desconhecidas --o
governo de Rondônia suspeita de falha geológica (?) no terreno ou problemas na
construção das barragem.
A usina de Apertadinho é construída pelo consórcio
Vilhena, formado pelas empresas Schahin Engenharia e Empresa Industrial
Técnica. O consórcio afirmou ontem, em nota, que "está adotando as medidas
cabíveis para apurar as causas do ocorrido".
Na Cebel, a reportagem foi atendida por um
funcionário que se identificou como Sérgio. Ele disse que o grupo enviou
técnicos a Rondônia para avaliar a situação e produzir um relatório para a
Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre o ocorrido.
Pablo solano, matheus pichonelli e rodrigo vargas
9/01/2008
- 23h29
Barragem rompe em Rondônia
e água pode atingir municípios
da Agência
Brasil
Parte da barragem da pequena central hidrelétrica
de Apertadinho, em Vilhena (698 km de Porto Velho, RO), rompeu na tarde desta
quarta-feira, de acordo o Corpo de Bombeiros. A água deverá atingir
principalmente os municípios de Pimenta Bueno e Cacoal, no sudeste do Estado.
Até as 21h45 a água não havia chegado ao Vale do
Apertadinho, a 20 km da barragem, mas o Corpo de Bombeiros e a Prefeitura de
Pimenta Bueno estão retirando moradores das áreas que correm risco de
inundação. "Temos informações que a tromba d'água pode chegar a seis ou
sete metros de altura. Algumas pessoas estão resistindo, mas a maioria está
desocupando as casas", contou.
O lago da barragem de Apertadinho tem capacidade
total para 114 milhões de litros de água, segundo o Corpo de Bombeiros.
10/01/2008
Água de barragem rompida é
contida em dique em Rondônia
da Folha
Online
A água que vazou da pequena central hidrelétrica de
Apertadinho, em Vilhena (698 km de Porto Velho, RO), foi contida hoje em um
dique no Vale do Apertadinho, a 20 km da barragem.
A hidrelétrica, cujo lago tem capacidade total para
114 milhões de litros de água, se rompeu por volta das 14h desta quarta e
colocou em risco a população dos municípios de Pimenta Bueno e Cacoal, cortados
pelo Rio Melgaço.
Segundo o Corpo de Bombeiros de Pimenta Bueno, não
foi registrado aumento no nível da água do rio até as 4h.
Uma segunda barragem, de oito metros de altura,
conteve a tromba d'água por volta das 22h. Segundo informações dos bombeiros, o
dique deve conter temporariamente o vazamento.
As prefeituras de Pimenta Bueno e Cacoal retiraram,
nesta quarta, moradores de comunidades ribeirinhas as quais correm risco de
inundação. As famílias estão sendo levadas para ginásios e escolas da região.
Ainda não foi descoberto o que teria causado o
rompimento da barragem.
Setenta famílias ribeirinhas de Pimenta Bueno (RO) foram retiradas de casa por causa do rompimento da Barragem de Apertadinho, na Pequena Central Hidrelétrica Apertadinho, no município de Vilhena.
A
operação para retirada imediata dos moradores aconteceu após o anúncio de que,
com o rompimento da barragem, por volta das 14 horas de ontem (9), a vazão da
água ameaçava inundar a região próxima ao Rio Melgasso. A Defesa Civil e o
Corpo de Bombeiros agiram com rapidez porque existia risco de que o volume de água
acumulado e a força da água pudessem comprometer estruturas de pontes e casas
ribeirinhas.
A região mais ameaçada fica
na extensão do Rio Barão de Melgasso. Além de Pimenta Bueno, as cidades de
Cacoal e Ji-Paraná estão em alerta.
O comandante do Corpo de
Bombeiros em Pimenta Bueno, sargento Marcelo Ferreira, informou que a situação
está sob controle. Segundo ele, a água da barragem está sendo contida no Vale
do Apertado, a 90 quilômetros da cidade. Na manhã de hoje, uma equipe foi
enviada para o vale para verificar a situação da contenção.
Além disso, o sargento
informou que o nível do Rio MelgaÇo está sendo monitorado. "À meia-noite,
a régua do rio [que mede o nível da água] estava em 4,54 metros, e por volta
das 6 horas da manhã estava em 4,49 metros. Isso quer dizer que, por enquanto,
a população não está correndo risco, porque somente quando alcança 6,27 metros
é que ocorre alagamento", explicou.
Os ribeirinhos que tiveram
que deixar suas casas estão alojados em escolas e ginásios. O sargento pede que
eles não voltem para casa até que a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros
confirmem que não existe mais risco para a população.
O tenente-coronel Silvio
Luiz Rodrigues, da Defesa Civil em Porto Velho, que está monitorando o problema
do rompimento da barragem, informou que funcionários do órgão já estão
sobrevoando a região para avaliar os danos causados pela vazão da água.
Segundo Rodrigues, a Defesa
Civil, com o auxílio do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), fez um
levantamento desde o rompimento da Barragem de Apertadinho até a cidade de
Pimenta Bueno.
O lago da barragem tem
capacidade total para 114 milhões de litros de água, segundo o Corpo de
Bombeiros. A região da central hidrelétrica fica cerca de 500 quilômetros da
capital, Porto Velho.
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